23.5.06
Pedindo em namoro
Pedindo em namoro - verão de 1981
Carlos Giordano Jr.
Ficamos juntos naquele carnaval. Nenhum beijo. Março de 1981… Lúcia trabalhava numa escola de inglês na Capital. Estudava Psicologia. Eu morava em Campinas, trabalhava como vendedor de óleo para queima em caldeiras e diesel para grandes consumidores. Estudava Economia na Pontifícia Universidade Católica.
Na Sexta-feira ela chegou de São Paulo trazendo consigo o destino do meu coração. Em Piracicaba nos encontramos. Fui buscá-la na casa de seus tios Elydio e Lenis, e como num sonho, ela apareceu com seu sorriso encantador. Demonstrou-me carinho. Seu rosto era lindo. Seus cabelos negros contrastavam com sua pele branca como a seda, realçando sua expressão de afeto. A paixão me envolveu. Entrou no carro, me deu um beijo no rosto…Que perfume delicioso…Momento de muito desejo. Saímos para passear, mas não sabíamos aonde ir. Andei, andei, andei e acabei parando o carro em frente ao antigo Restaurante Flamboyant, que era muito bem freqüentado na época.
- Vamos conversar um pouco aqui no carro?
- Tudo bem…
Eu tinha ensaiado a semana inteira para ter o que falar na hora certa. Naquele instante, nada me vinha à mente. Só conseguia olhar no fundo de seus olhos encantadores, e desejá-la. Meu coração disparado não conseguia esconder meu sentimento, que no rubor de minha face, escancarava minha insegurança. Ora, como namorar uma moça tão linda sem ao menos perguntar a ela sobre seus sentimentos… E lá vai…
- Lúcia, eu adoraria namorar com você. Acha que daria certo?
- Você quer mesmo?
Oh! Meu Deus, ela me respondeu com outra pergunta…O que passa pela cabeça dela? Será que não era o momento certo? Foram segundos que demoraram uma eternidade para passar…
- Lógico. É o que mais quero na vida!
- Mas eu estou em São Paulo e você em Campinas. Acho que vai ser difícil nos encontrarmos. Será que vai dar certo?
Neste momento, eu já sabia que ela compartilhava comigo o mesmo desejo. Deus estava de novo ao meu lado. Tinha me concedido sua maior graça, me enviando um presente. Deu-me a Lúcia, aquela que seria o todo da minha parte, a linha do meu horizonte, o Sol do meu paraíso, o sangue de minhas veias, e a mãe dos filhos que ainda não tinha.
- Vamos namorar?
- Ah! Então vamos tentar…
Que alegria… Não sabia o que fazer…Então, nossos lábios se encontraram pela primeira vez. Naquele beijo tão desejado, com todo nosso calor, selamos ali o nosso futuro. Abracei-a bem forte, envolvendo-a num manto de proteção, amor e carinho. Seguramente ela também nunca se esquecerá daquele momento tão radiante de nossas vidas. Eu tinha me reservado por quase vinte anos àquele maravilhoso instante de carinho. E, pude então, senti-lo com absoluto vigor e intensidade, sorvendo com mérito de homem já maduro o prazer de poder simplesmente existir e amar.
Ficamos juntos naquele final de semana. Eu não podia deixá-la ir… Mas, no Domingo ela se foi, deixando para traz toda certeza que eu queria ter. Afinal, agora, ela era minha, só minha, para sempre.


criado por giordanocarlos
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