Na sombra de um coqueiro

Divirta-se com Causos, Crônicas, Poesias, Família, Fogão de lenha, No pé do coqueiro, Tocando a Tuba. (Vedada pelo autor a Criação de Obras Derivadas) Você não pode reproduzir, alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.

15.5.06

Viagem grátis

Viagem grátis

Carlos Giordano Jr.

Em meio a tanta confusão que sou obrigado a ouvir e ver pelos meios de terror-comunicação, pensei em dar uma voltinha rapidinha pelo lado bom da minha memória. Quer ir comigo? É grátis, rápido e seguramente muito prazeroso.

Segure minha mão, solte sua imaginação e vamos nessa.

Cedinho vamos tomar um bom café mineiro lá na pousada das Escarpas do Lago às margens da represa de Furnas, que fica do ladinho da Serra da Canastra em Piunhí - MG.

- Vamos sentar aqui na sacada e experimentarmos aquele pão de queijo que acabou de sair. Passa você um requeijão cremoso e prove o cafezinho delicioso. Enquanto isso, dá uma olhada na paisagem lá embaixo.

Que amanhecer maravilhoso, o lago até parece um mar de águas mansas onde repousa uma densa neblina prenunciando um dia de calor. Escute o sabiá laranjeira e o tico-tico com seu canto choroso nos acariciando os ouvidos. Ô trem bão sô.

Levanta vôo que estamos saindo. Vou te mostrar a cachoeira da escadinha na Chapada dos Veadeiros pertinho de Brasília. Vamos que ainda dá tempo… Nem gastamos três minutos ainda do nosso tempo.

Dá uma olhada lá embaixo. Ta vendo as várias quedas? Pois é por conta disso que leva esse nome.

Um dia passei aqui com Carlão, e paramos a caminhonete naquela sombra ali, pertinho do boteco e descemos para nos refrescarmos do insuportável calor daquela tarde. Quando chegamos na primeira queda, olhamos lá para baixo e deparamos com VIRGENS nuas que se refrescavam nas águas cristalinas e geladas do regato. Que emoção e quanta risada demos daquilo que parecia ser impossível acontecer. Fomos até bem pertinho delas e sem saber o que dizer, exclamei:

- Vocês vêm sempre aqui? Carlão se afogou de tanto rir.

Segure-se em mim, que vamos alçar vôo até a Cachoeira da Velha no coração do Jalapão. Olhe só que loucura, dá uma olhada na cor da água. Aqui foi gravado o filme Deus é brasileiro com o Antonio Fagundes. Vamos dar um mergulho. Se quiser tire a roupa e se sinta à vontade. Ninguém vai ligar. Alias, aqui nunca tem ninguém, por isso acho que Deus deve estar descansando por aqui.

Levanta a cabeça e veja as dunas vermelhas ainda aqui no Jalapão, lugar incrível que nunca esqueço, pois parece Su-real. Sinta o vento, sinta o calor, sinta a presença do Criador.

Vamos, vamos…. Vou te levar ali pertinho. Tá vendo aquelas dunas e lagunas? Ali estão os Lençóis Maranhenses. Vamos dar uma rasante por ali e sentir a sensação absurda de liberdade. Liberdade de pensamento. Liberdade de expressão. Liberdade de poder sentir a natureza como ela é.

- Olhe as unhas daquele cachorro!!! Que incrível. Por não terem onde serem gastas em tanta areia, crescem tanto que acabam se enrolando em torno das patas.

- Pausa para uma água de côco. Natural. Trouxe a faca? Não faz mal, vai buscar na gaveta da cozinha, afinal estamos viajando dentro da minha memória mesmo…

- Vou abrir uns quatro ou cinco e jogar na sua cabeça. Tomar banho de água de côco…Isso seu cartão não pode comprar.

Venha agora, que deu fome. Vou te levar na Maria Nilza no Guaiú em Santo Antonio, do lado de Santa Cruz Cabrália na Bahia. Olha só essa praia… Já viu coisa igual?

- Oi Maria Nilza, te apresento um viajante da minha memória.

- Que bom, seja bem vindo e que bom rever você uma vez mais por aqui.

- Pois é, vim para almoçar aqui com o pé na areia de novo, debaixo desses coqueiros.

- E já sei o que vai querer… Um risoto de polvo especial.

- O de sempre baiana porreta. Risoto de polvo recheado de sorriso, como sempre.

Sinta a brisa na face, relaxe seus olhos no azul infinito que se mescla entre céu e mar e prove dessa sombra do coqueiro deitado na rede, enquanto o perfume do fogão a lenha da Maria Nilza nos provoca o apetite.

-Curtiu, gostou, ficou com vontade de ficar? Então vamos que vou te levar para conhecer a Chapada Diamantina ali no Oeste baiano. Mas vamos passar só por cima, senão vou ter que parar para dormir em Mucugê, pois deixei ali num outro dia, o meu desejo de voltar para sempre. Espia só a Cachoeira da Fumaça e vamos embora.

Vou levar você na casa do Seu João do Camarão lá em Bom Jesus da Lapa nas margens do velho Chico. Seu João vai buscar camarão e mariscos em Salvador, encara quase 900 km de ida em ônibus pau de arara para encontrar o produto do seu comércio e volta feliz. Homem bom, um dia me recebeu em sua casa, colocando sua esposa para cozinhar uma moqueca baiana com caruru, acompanhada de camarões fritos no dendê, arroz com leite de côco e farofinha de leite cujo gosto ainda está na minha boca. Não cobrou nada não. Tirou da sua simplicidade, a alegria de receber com orgulho um paulista em sua casa. Me emocionei muito, jurei mudar meu conceito de vida. Vou deixar uma cachaça de Piracicaba pro Seu João, dar um abraço nele e vamos nos abençoar na gruta do Senhor Bom Jesus da Lapa, pedindo a Ele um pouco de paz e justiça para o nosso país.

Jantamos uma costela de Tambaqui e caldinho de piranha no Restaurante Caravela do Madeira em Porto Velho, tomamos umas cerpinhas ao som de Ziza cantando Elis Regina tendo como acompanhamento um formoso piano de cauda.

Obrigado pela sua companhia. Foi legal.

Outro dia te levo mais longe.

Basta querer. Se não quiser, ligue a TV que é mais legal.

criado por giordanocarlos    18:42 — Arquivado em: Crônicas

14.5.06

Hoje não é o dia da minha mãe

Hoje não é o dia da minha mãe

Carlos Giordano Jr.

Em 1905 Ana, filha de pastores, perdeu sua mãe e entrou em grande depressão. Preocupadas com aquele sofrimento, algumas amigas tiveram a idéia de perpetuar a memória de sua mãe com uma festa. Ana quis que a festa fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas, com um dia em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães. A idéia era fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais.

Durante três anos seguidos, Anna lutou para que fosse criado o Dia das Mães. A primeira celebração oficial aconteceu somente em 26 de abril de 1910, quando o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock, incorporou o Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas daquele estado. Rapidamente, outros estados norte-americanos aderiram à comemoração. Finalmente, em 1914, o então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-1921), unificou a celebração em todos os estados, estabelecendo que o Dia Nacional das Mães deveria ser comemorado sempre no segundo domingo de maio. A sugestão foi da própria Anna Jarvis. Em breve tempo, mais de 40 países adotaram a data.

O primeiro Dia das Mães brasileiro foi promovido pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, no dia 12 de maio de 1918. Em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou a data no segundo domingo de maio. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que essa data fizesse parte também no calendário oficial da Igreja Católica.

Minha mãe nasceu também em 1932, e com sacrifícios transformou-se numa árvore de felicidade, que enraizou-se em solo de moral e justiça. Lutou como poucas pela alegria de seus filhos, transformando-os em homens alegres e justos também.

Hoje não vai ser dia dela. Me recuso.

Todos os dias de minha vida serão dedicados à ela. Pelo que ela é…meu Porto Seguro.

criado por giordanocarlos    11:51 — Arquivado em: Crônicas

12.5.06

Eu amo Cebiche

Eu amo Cebiche

Carlos Giordano Jr.

Chegando em Lima, o desejo de correr para uma cebicheria é algo que não consigo controlar. Fico desejando sentir aquele sabor ácido e levemente adocicado do pescado curtido no limão.

O Cebiche, dizem ter a história baseada em marinheiros ingleses que chegando no Peru se fartaram com a quantidade de pescados, e que por falta de ingredientes os curtiam no limão e os comiam crus, chamando-os de SEA BEACH. Outros dizem que a origem vem da Arábia onde sibech significa comida ácida. Acho que não tem muito a ver a segunda versão, pois de Árabe o Peru não tem nada.

A comida peruana é de fortes raízes incas, incrivelmente decorativa e irresistivelmente saborosa, a comida "creolla" é de tirar bons suspiros de quem a prova. Existem influências chinesas por força da grande imigração ocorrida nos últimos 50 anos.

Em Lima existe a Calle Capón, local denominado de “barrio chino” onde a “chifa” (comida chinesa) é o prato do dia. Por todos os lados onde se ande em Lima se encontrará uma “Chifa”, ou restaurante chinês, onde invariavelmente se serve o melhor “pollo” do mundo. Eu particularmente acho horrível. Mas todos saem de suas casas para comer o tal pollo (frango) ou um especial “tacu-tacu”, uma mistura de arroz com feijão fritos com azeite e desinformados no prato com uma espécie de hambúrguer por cima, isso tudo servido nos melhores restaurantes de Lima.

É tradicional no Peru acompanhar sua comida com muita “chicha morada”, um suco de milho roxo de gosto tênue, leve e muito doce.

O Peru é o maior produtor de pescados do mundo. Banhado em toda costeira pelo Pacífico lodoso, encontra em suas turvas águas a maior quantidade de plânctons e fito planctons capazes de alimentar uma cadeia de peixes, que faz inveja ao Japão que é considerado o segundo maior produtor de peixes do mundo. Existem muitas variedades que não conheço por aqui. O mais comum é encontrar um tal “pejerey”, que parece uma pescadinha branca servida frita nas barracas na beira do mar, ao lado, infelizmente de muita sujeira. Curto muito estar ali e me refrescar com um “pisco sauer”, bebida feita com Pisco, clara em neve, limão e uma pitada de canela em pó. É a bebida oficial do Peru.

Mas o tal cebiche é de deixar qualquer um apaixonado. É considerado como patrimônio cultural do País, e para ocupar esse lugar de destaque, os “ayuntamentos” (prefeituras) certificam os melhores restaurantes com um selo de qualidade onde se diz: Aquí se come o melhor cebiche. E aí se pode confiar.

O cebiche:

Se prepara com um limão chamado “ceuti” que infelizmente não o temos por aquí e é inconfundível por sua acidez característica. Esse limão é que vai cozinhar o pescado, juntamente com alguns tantos mariscos por vinte minutos antes de ser servido com muito “ají” espécie de pimenta dedo de moça, que também não encontramos nos nossos mercados infelizmente, cebola roxinha em fatias finíssimas, “choclo” (milho com grãos enormes cozidos em água e sal), pedaços de “camote”, que é uma espécie de batata doce com cor de abóbora cozida em água, caldo de limão ceuti, e “culantro” conhecido no Brasil como coentro.

Não posso deixar de dizer que o fato de se comer o pescado cru, curtido no limão ou no suco de “naranjitas” que são como pequenas laranjas de suco bem ácido, é em função de não existir no antigo Peru, lenha para cozinhar, pois a costa peruana é caracterizada por região árida, desértica, onde árvores são vistas somente em miragens. O cebiche é tido como prato principal por excelência e por seu sabor refletir a própria identidade peruana.

O pescado simboliza a grandeza de nossas águas.

O limão a força de nosso sangue.

A cebola, a melancolia.

O ají, nossa picardia.

O milho, a riqueza de nossa terra.

E o camote, a hospitalidade de nossos corações.

Existe uma música que é quase um hino e me emociono quando a ouço. Seu refrão é assim:

Yo me llamo Peru.

Con P de Patria

La E de ejemplo

La R de rifle

La U de la Unión.

Conheça o Peru, vá a Machu Pichu e Nasca, conheça o Museo de los Incas, compre uma Alpaca legítima bem baratinho em Miraflores, coma cebiche, tome uma chicha morada, experimente um Pisco Sauer e seja muito, mas muito feliz.

criado por giordanocarlos    23:27 — Arquivado em: Crônicas, Fogão de lenha

11.5.06

A corrança da negada de Brasília.

Corrança em Brasília

Carlos Giordano Jr

Se você num é de Piracicaba, dificilmente vai entender o texto abaixo:

 “Mario, queorqueagor? Agor é quatro or, or dimbora, vô pega minha magrela e dar uma vorta na escola agrícola”

Se também não riu da frase acima, é porque nunca veio à Piracicaba.

Num sô chegado. Nem ligue. Quano a fubeca do seu amigo ta perto da sua, ocê pode gritar CORRANÇA. Isso dá o direito de pegar sua bolinha de gude e jogar bem longe para não ser morto. Igual político em Brasília. O povo ta chegano perto da gente do mar, e um grita lá no fundo:

- CORRANÇA.

Num sobra um pra contá as paia. Negada sarta de banda, sái disgueio. O gentarada lazarenta.

Mas em Piracicaba lazarento serve pra tudo, ou quase tudo, já dizia Cecílio Elias Neto na sua obra Dialeto Caipiracicabano “ARCO, TARCO E VERVA”.

Meu irmão é um puta nego lazarento. (Nota-se que ele é super legal)

Aqueles cara são muito lazarento. (Nota-se que são da barra pesada)

Meu padrinho é lazarento na cozinha (sabe quase tudo de fogão)

Aquela muié é lazarenta de boa. (quase santa)

Por isso, em Pira vorta e meia se diz:

Os político de Brasília são tudo uma cambada de lazarento, num tem voia de trabaiá não, só qué tungueá o povo e tira o deles da chiringa. (não precisa de tradução).

Na hora do pegapacapá negadinha sarta fora. Vaimbor tudomundo, finge que vão tirá água do joeio.

Nói tem que tacá na peida dessa negada.

CORRANÇA.

criado por giordanocarlos    20:46 — Arquivado em: Crônicas

5.5.06

O Foguetório

O Foguetório - pela comemoração do aniversário de meu grande amigo.

Carlos Giordano Jr.

Antônio de Arruda Ribeiro Júnior, o “Frescão”, cabra bão de tudo, cheio de aventuras e experiências de vida, vive com o grande amor de sua vida, a linda e adorável Fernanda, violinista exemplar, conhecida internacionalmente, que tem por ele verdadeira paixão.

Ex-garimpeiro, ex-empresário do turismo, administrou durante anos uma equipe de vendedores de jóias, trabalhou com judeus heterodoxos em multinacional de consultoria financeira e atualmente é gestor de eventos culturais em São Paulo. É um dos maiores pianistas que conheço, embora ele despreze o presente que recebera direto do Pai Celestial, que é o seu dom para a música e seu quase limpo e fabuloso ouvido, que tem um zumbidozinho imperceptível, mas presente todo tempo, segundo ele conta.

Tive grandes aventuras com Antonio no “nosso” tempo. De foguetórios de wisky com amendoim, a um porre indescritível por conta da comemoração de seu aniversário de quinze anos.

Naquele dia festivo, fomos à antiga Brasserie, no largo da Catedral comemorar seu tão esperado aniversário. Fomos logo pedindo uma pizza de mozarela e uma garrafa de vinho Chateau Durvallier para o brinde. O papo alegre e descontraído nos levou às lembranças maravilhosas, conquistas inesquecíveis e sonhos encantadores de um futuro onde pudéssemos celebrar juntos nossa grande amizade.

Um brinde mais e outro, e mais um, até o grande feito de deitarmos três garrafas de vinho na nossa especial comemoração.

O impiedoso dono do restaurante nos pediu para sairmos dali sem contestação. Não entendemos muito o porquê do desejo. Afinal, saímos completamente tortos. Podres e felizes. Resolvemos subir a Rua Moraes Barros rumo ao Campo do Quinze, no bairro alto, onde morávamos. Era tarde e de quebra nos desviamos para a casa de nosso amigo Waltão para dar-lhe um abraço amigo e carinhosamente embriagado. Dali sua mãe Mariana, nos mandou de volta. Não vimos Waltão. Que pena!

Passamos na casa da Lílian, para fazermos uma cantoria, “na capela” como serenata contemplativa de nosso respeito e amizade. Dona Cléa, sua mãe, também conseguiu coibir a ação indesejável de nossa embriaguez. Afinal, dormi na escadaria da Igreja Bom Jesus. Antonio seguiu seu rumo não sei como até sua casa, se esquecendo do amigo quase morto para trás.

Fiquei de fogo por três dias consecutivos, parecia ter jogado areia com sal nos olhos, minha cabeça parecia explodir e ao sobreviver a essa epopéia, comemoramos hoje, no dia de seu aniversário nossos trinta anos sem beber Chateau Durvallier.

Não poderei estar nessa festa, mas estarei comemorando sempre nossa grande amizade. Embora não o veja com freqüência, tenho Antônio como meu irmão por opção, e sempre estive e estarei torcendo para o seu sucesso e felicidade.

Parabéns bicho, e que Deus, seja descomedido ao te presentear com muita paz.

criado por giordanocarlos    11:57 — Arquivado em: Crônicas

3.5.06

Brasil - Bolívia - E agora Mané?

Brasil - Bolívia - E agora Mané?

Carlos Giordano Jr.

Infelizmente quem acreditou mais uma vez no governo, se deu muito mal.

 Mas eu diria muito mais… Aquele que trasnformou sua indústria, expondo sua necessidade de energia primária às ofertas de outro país, entregou seu sonho ao demônio. Claro, uma verdadeira estupidez…

Investimento administrado pela poderosa Petrobrás de 1 bilhão de dólares de nosso parco dinheirinho, numa aventura patética de investimento de risco absoluto, num país totalmente instável politicamente.

E, quem transformou seu carro para o gás??? Deveria se envergonhar de não acreditar na nossa fonte renovável de energia.

Coitado daquele que conseguiu financiamento para instalar GNV no seu Posto de Gasolina??? Vai pagar com a alma agora.

De quem é a culpa?

Do presidente "sabe nada", dos corruptos de plantão, dos oportunistas Bolivianos, dos interesses internacionais, da sociedade de consumo, da falta de informação ou da imbecilidade do povo brasileiro que se sujeita a caminhar sem direção para um rumo totalmente equivocado? Povo que acredita em saci-pererê, mula sem cabeça, papai noel, coelhinho da páscoa, expõe seu destino ao fracasso.

Eu, de minha parte, humildemente, acredito nas minhas convicções, acredito em Deus como meu único Salvador, acredito em Seu Plano Divino de felicidade, tendo como estrutura de base unicamente o amor direcionado ao nosso irmão. Acredito ainda na possibilidade de nos libertarmos das correntes massivas de pensamento enlatado, de opiniões estúpidas de revistas semanais que visam somente a especulação do sofrimento social. Acredito fazer de meus filhos, homens de verdade, justos e honestos, com moral intocável, soldados da razão e escravos do bom senso. Sonho muito com o dia em que nossas instituições serão fortalecidas pelo comprometimento do querer comum, básico, simples, mas humanamente necessário de nossos governantes. Acredito exclusivamente na capacidade de transformação de uma sociedade pelo investimento maciço na educação de seu povo, dando-lhes liberdade de pensamento e voz para gritar por seus anseios.

Espero que, ao experimentarmos o gosto amargo de mais esse presente, possamos nortear nossas futuras decisões nos direcionando para um final feliz.

criado por giordanocarlos    8:31 — Arquivado em: Crônicas, Tocando a Tuba

6.4.06

PÁSCOA: Um presente de felicidade

PÁSCOA: UM PRESENTE DE FELICIDADE

Carlos Giordano Júnior ________________________________________________________________________________________ Em toda vida nunca suspeitei da existência de Deus. Algumas vezes, estive mais distante Dele, mas felizmente, todas as vezes que isso aconteceu, tive a bondade de receber Sua Graça, me encontrando novamente a Seu lado.

Muitas pessoas têm dificuldade em se fortalecer na fé. Fé é crer, acreditar naquilo que não se vê, portanto quem precisa ver para crer…não tem fé. Sem fé não se vive, não se alcança aquilo que se deseja, não se encontra, não se admite, não se permite. Mas, o amor que vem de Deus permite. Deus simplesmente permite. Talvez seja essa a resposta que se procura para aquilo que nos cerca, e que quando não é aceito, duvida-se da Sua Existência.

Quem poderia ver Deus?

Acho que todos teriam capacidade, e lhes seria permitido…

Tomemos como exercício de possibilidade, tudo o que nos cerca. E, bem devagarinho, bem de mansinho, vamos nos permitir visualizarmos somente o que há de bom nas pessoas, suas mais remotas possibilidades de cultivarem o amor, a bondade, a fraternidade… Os objetos descartados do plano visual e emocional, guardados numa esfera puramente física e material, totalmente insignificantes, básicos… Àquilo que se vive, credite-se amor, respeito, carinho… Às plantas, aos animais, dêem oportunidades, permitam… Aos impuros, aos desesperançados, aos desgraçados, aos aleijados, aos assassinos, rumem olhares de afeto e percebam a vida em seus interiores, porque talvez o meio é que os tenha tornado o que são, e nós, certamente, somos parte desse meio… Aos atos, acrescente-se compaixão, amor e sinceridade… Olhe a vida, olhe a pureza da água, o calor do Sol, a certeza da Terra, o azul lá no Céu. O imenso amor da Criação. Olhe, sinta… E, aí, nesse instante veja em você a permissão de estar vivo, o ato de bondade infinita que o permitiu e … terá visto Deus.

Viu Deus?

O que é Deus?

Deus é amor. Acreditando no amor, acreditará em Deus.

Para ficarmos felizes, Deus em sua infinita bondade e misericórdia, concedeu-nos um plano de vida: O Plano de Deus. Nesse Plano, Deus indicou-nos a possibilidade de alcançarmos o estado de felicidade. Permitiu-nos sermos felizes.

Mas, tudo parece tão simples, tão puro, tão fácil… Acontece, que o Homem, egoísta que é, imagina-se capaz de construir um plano melhor, mais cômodo, no qual o amor não é a linha mestre, criando inevitavelmente caminhos tendenciosos, levando à cobiça, à inveja, e à ganância.

Esse desvio de comportamento não é considerado pecado às vistas do Homem, portanto destrói toda e qualquer tentativa de realização plena de felicidade, pois o individualismo gerado aí, é um passo para transformar a fome e sede de justiça de muitos em guerra, e esta finalmente, à destruição desse plano. Por isso, o Homem se mata na carne. Seu espírito não habitará seu corpo. Não haverá risos. Só dor.

E, porque não conseguimos a felicidade ?

Quando não somos felizes, é porque fugimos desse Plano Divino, nos desviando do caminho do bem. Ficamos de mal com Cristo, Seu Filho. E, quando ficamos de mal com Ele, sentimo-nos mal, tristes e desesperados, e na maioria das vezes nem sabemos o por quê. Talvez porque tenhamos pecado contra esse Plano de bondade, nos desviando de seu curso.

Por isso também, Ele nos permitiu recebermos a visita de Seu Filho, Jesus Cristo, que nos aproximando novamente de Seu Pai, através de Sua morte e ressurreição, mostrando-nos detalhes desse maravilhoso Plano, livrou-nos de todos nossos pecados, permitindo-nos estarmos sempre nesse caminho através da Sua Graça. E, Graça é um presente que recebemos, um sinal, que nos aproxima novamente de Sua amizade. Graças a Deus, significa com a permissão de Deus. Vivendo em Graça, seremos amigos de Cristo. Estaremos em alegria constante, teremos vida em abundância. Seremos sempre felizes.

E agora, na Páscoa estaremos brindando essa nossa amizade, comemorando sua ressurreição, seu renascimento junto de nossos corações. Comemoraremos uma nova oportunidade de sermos seus verdadeiros filhos, estando em comunhão com seu Plano de felicidade, de Paz e de amor.

Boa Páscoa…

Que Jesus esteja novamente em nossos corações.

criado por giordanocarlos    17:13 — Arquivado em: Crônicas

21.3.06

Hoje, simplesmente acordei cego.

Hoje simplesmente acordei cego. - Carlos Giordano Jr.

Percebi que tinha acordado quando senti minha consciência ativa através dos meus ouvidos. Abri os olhos e nada vi. Minha memória não conseguia buscar imagens para que eu pudesse visualizá-las diminuindo meu desconforto.

Hoje acordei cego. Tenho dificuldades para levantar-me da cama. Gritei por ajuda e todos se foram. Estou só, no escuro total.

Levantei-me com dificuldade, tateando a parede na busca do interruptor de luz na esperança de que algo tivesse acontecido durante a noite e num piscar de olhos tudo pudesse voltar ao normal. Mas infelizmente nada aconteceu. Tive dúvidas, gritei por ajuda novamente e percebi minha cruel realidade à luz da minha escuridão.

Como pode haver luz na escuridão? Acho que nunca vi a luz. Não me lembro.

Fui ao chuveiro, tocando nas paredes, e me banhei como de costume. O sabonete caiu e não pude achá-lo. Desisti do banho e a toalha não estava onde deveria estar. Também não pude achá-la. Sequei-me com o tapete do chão. O telefone tocou ao meu lado no quarto, consegui apalpá-lo, quando minha esposa preocupada, perguntou se tudo estava bem. Disse que sim, embora confuso. Ela contou que a professora de Braille não viria, pois a ONG que a contratara, estava sem recursos para mantê-la na função. Desculpando-se, desligou o telefone me deixando mais intranqüilo.

Definitivamente eu era cego. Troquei-me com dificuldade, colocando a roupa que cuidadosamente ela tinha separado em cima da cadeira do quarto. Ao lado, minha bengala. Que dor senti nesta manhã.

Até a cozinha para o café já preparado, foi fácil, não havia nada no caminho. Alimentei-me sentindo que formigas comiam parte do meu pão, mas não consegui saber quantas ingeri.

Resolvi dar um passeio e percebi que as pessoas passavam por mim quase sem respirar, com medo de que pedisse ajuda. Foi muito difícil e doloroso chegar à porta do prédio, pois já no elevador, que apita quando chega ao meu andar, notei a presença de alguém que não respondeu ao meu - Bom dia!

Na calçada, degraus dificultam meu caminhar mesmo com o auxílio da bengala. Mas não importa… Continuo como se fosse normal. Um carro em alta velocidade buzina e me xinga quando tentava atravessar a rua. Resolvi voltar.

Queria poder trabalhar, mas infelizmente, apesar da minha capacidade, apesar de falar várias línguas, de saber redigir minhas idéias com facilidade, ter excepcional audição, ótima coordenação motora e de ter boa concentração, não consigo uma empresa que me dê apoio ou oportunidade de trabalho mesmo com o incentivo ou exigência da lei federal.

Que tristeza me dá. Meus filhos estudando na Universidade e eu sem poder ajudá-los, inválido dentro de casa.

Num silêncio profundo, imaginei poder ligar a TV e assistir o noticiário. Por mais esforço que fiz em minha memória, não pude nem sequer imaginar como seria o rosto do repórter. Não tinha nenhuma imagem na minha mente. Não tinha lembranças visuais. Nunca havia podido ver a luz. Só escuridão. Assim mesmo liguei a TV para tentar ouvir então uma boa notícia e acertei…

A Campanha da Fraternidade deste ano convida a comunidade a participar da conscientização para valorização e inclusão das pessoas com deficiência. Acho que alguém, de fato lembrou de nós e resolveu dar uma mãozinha. Fiquei feliz em saber que a Igreja Católica estará empenhada em apoiar os projetos de conscientização da comunidade a favor dos portadores de deficiências através da CNBB e da Caritas.

Sentei-me ao computador e pude perceber que ele falava comigo através do programa DOSVOX instalado. E dei início a esse texto, ditando para o computador aquilo que eu queria escrever. Que maravilha. Pena que a maioria não tem esse recurso e fica isolado do mundo da informação.

E hoje resolvi mudar o mundo.

Vou fazer um projeto para ajudar uma ONG da minha cidade. Quero que eles se capacitem a ajudar mais e mais pessoas para o trabalho. Que tenham dinheiro suficiente para pagar as professoras, psicólogas e assistentes sociais que se escravizam para nos ajudar e não são reconhecidas. Quero que o dono do Pet Shop que está rico de vender bugigangas para bichinhos de estimação, possa contribuir para que pelo menos alguns cegos possam receber um cão guia e sustentá-lo com doações de ração. Vou visitar empresas e pedir que nos ajudem, dando oportunidade de trabalho para que possamos mostrar nosso valor como cidadãos. Vou aproveitar e fazer um projeto para a CNBB pedindo algum recurso do Fundo Nacional da Fraternidade. Vou ligar para o pessoal do Lions Clube que também se esforçam em viabilizar projetos de assistência a portadores de deficiência visual e vou pedir uma forcinha. Vou mandar um e-mail para a ONCE - Organización Nacional de Ciegos de Espanha, que recebeu do governo de lá a possibilidade de explorar a loteria federal e reverter o lucro para fomento de projetos de assistência aos cegos da Espanha e do mundo. Vou convidar todos os cegos que conheço para se levantarem e perceberem que existe vida longe da escuridão. Vou a Brasília pedir ao presidente que separe uma parte do valor que pretende gastar na sua campanha de re-eleição para fomentar Institutos, Federações, ONGs e Associações de ensino e capacitação de portadores de deficiências.

Espero que amanhã a luz se acenda como sempre, mas eu possa ver o mundo de outra forma, enxergando melhor a realidade da vida, encarando novos desafios e ajudando a todos que precisam de mim.

Amanhã o mundo será melhor. Pelo menos vou vê-lo assim.

criado por giordanocarlos    19:03 — Arquivado em: Crônicas

18.3.06

Prazer de amigos…

Prazer de amigos - Carlos Giordano Jr.

Meu primeiro amigo inseparável deve ter sido meu pepê, é , minha chupeta, claro, aquela que não desgrudava de mim e à qual dedico este texto com muita saudade, pois, minha mãe fez de tudo para nos separar, obrigando-me a acabar com nossa amizade entregando-a ao lixeiro. Coitada, sentiu-se usada e desprezada na lata do lixo. Também, nunca reclamou.

Mas, amigo mesmo, são aqueles que realmente nunca reclamam, não cobram, não falam, nada querem. Simplesmente são amigos. Amigos para toda vida. Amigos que se unem pelo coração, pelo sentimento e pelo desejo de poder sê-lo. Amigos que se entregam ao prazer de tão somente serem … amigos.

Amigo! Quem é, não fala…sente.

Tive muitos amigos.

Mentira!

Os que não são mais, na verdade, nunca o foram.

Tive muitos colegas. Colega é aquele do momento, que não se guarda, apenas se respeita e às vezes se admira. Depois, vem outro.

Afinal de contas, quantos amigos uma pessoa pode ter ao longo de sua vida? Depende de quanto tempo teve a sua vida. Às vezes, o sujeito já nasceu morto e seus únicos amigos serão os vermes que irão comê-lo. Depende do seu hálito. Muitas vezes aquele sorriso maroto, que é seguido do “muito prazer”, acaba atrapalhando pela falta de ar do adversário, digo, do apresentado. Depende também do cheiro de suor que emana do sovaco do coitado, que muitas vezes chega a ser confundido com resto de goiaba podre, impossibilitando o interlocutor de continuar falando pelo acesso de ânsia de vômito. Depende do seu caráter, do seu coração, da sua capacidade de doar-se, e da sua capacidade de não fazer pum na frente dos outros.

Por Deus, tive vários amigos. Agora tenho menos.

Já escrevi sobre todos, um por um, e depois arquivei, para que o tempo reconfirme essas minhas impressões.

Os amigos são verdadeiros patrimônios conquistados ao longo da vida, porém pelo elevadíssimo valor individual alcançado no mercado de amizades, dificilmente conseguimos arrebanhar vários. Em função dessa grande dificuldade, é que deveríamos colocá-los em testamento, permitindo aos descendentes aproveitarem mais um pouco dos prazeres de poder tê-los.

criado por giordanocarlos    15:08 — Arquivado em: Crônicas

14.3.06

Hitler, anjo ou demônio.

Hitler, anjo ou demônio.

Carlos Giordano Jr.

Numa esfera mesclada de medo e resistência pela aproximação do comunismo, nasceu o Nacional Socialismo. Pelos idos de 1920, Adolf Hitler, imbuído de obscuras intenções, liderou o partido que teria seu nome abreviado para Nazi (de Nationalsozialistishe). Suas idéias prenunciavam uma catástrofe, porém exaltando a raça superior alemã, negava também os princípios humanos da democracia e enaltecia o fortalecimento do governo ditatorial, que se opunha fortemente às propostas comunistas que se aproximavam da aceitação popular.

Com o apoio dos comandos financeiros, fortaleceu-se calcado em posições radicais onde o governo forte dominaria o povo fraco e despido de ideologia contestadora. E, nesse patamar estava o povo judeu, que indistintamente seria considerado inimigo da raça ariana e, portanto exterminado.

Curioso é o fato de que naquela época, Hitler dominava o assunto de propaganda política como ninguém e com isso investiu todas as suas habilidades em dominar a informação pública, levando ao povo de forma magistral a sua própria verdade. E o povo acreditou.

Usando de propaganda política, dominou todos os conceitos populares, levando o povo a acreditar na sua loucura. Depois fartou-se em determinar o extermínio de todos aqueles que não cediam ao comando de sua voz. De forma vergonhosa e desonrada, fez com que o povo judeu se voltasse contra si mesmo, lutando por uma fração de alimento ou por um buraco escondido num sótão fétido de um gueto. Os que não morreram de fome ou de vergonha, morreram por acreditar terem sido escolhidos para trabalhar nos campos de lavoura. Famílias inteiras foram dizimadas já no trem rumo ao prometido trabalho. Seus bens foram saqueados afim de pagarem pela despesa das munições usadas nas suas próprias mortes. Seus corpos abusados e mutilados. O banho no chuveiro a gás dizimava suas esperanças contidas até o fim. O caos se instituiu, e o povo se calou.

Hitler foi acuado em 1945, como único responsável pela segunda guerra mundial, no seu bunker, na Berlim destruída sob o ataque impiedoso das tropas soviéticas. Após fingir um casamento com Eva Braun, sua amante e ler seu testamento para alguns que ainda o apoiavam, recolheu-se na sua covardia e vendo a morte da esposa pela ingestão de cianureto, acabou com sua vida com uma bala na cabeça.

Consta que seus corpos foram incinerados. Talvez tenha fugido como um covarde e sobrevivido na sua solidão por mais alguns anos como Bin Laden, tramando se vingar ainda de seu próprio destino.

Isso não importa.

O que importa é saber se em paralelo com o espaço-tempo, isso não se repete por aí todos os dias.

Alguém dominando e subjugando outro alguém. Usando da mídia para prometer dias melhores enquanto exercendo de sua covardia, vê seu irmão morrendo de fome, sem emprego, sem esperança e sem força para lutar. Exercendo de seus poderes alcançados pelo domínio sobre um povo inculto e pacato, fortalece cada vez mais suas idéias de despotismo dissimulado.

A diferença é que Hitler é um anjo, que enviado por Deus, e não pelo demônio, se responsabilizou sozinho por conseguir levar para junto do Pai, no paraíso celestial, milhões de almas sofredoras, que na pureza de suas vidas, alcançaram a piedade eterna respirando o gás letal.

E o outro, ainda teima em fazer sofrer aqui na terra, mutilando nossas esperanças, milhões de brasileiros que acreditaram nele.

criado por giordanocarlos    18:44 — Arquivado em: Crônicas

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