Na sombra de um coqueiro

Divirta-se com Causos, Crônicas, Poesias, Família, Fogão de lenha, No pé do coqueiro, Tocando a Tuba. (Vedada pelo autor a Criação de Obras Derivadas) Você não pode reproduzir, alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.

15.9.06

Sud Mennucci de Piracicaba

 

NO SUD TUDO ERA ENCANTO

Carlos Giordano

     No primeiro ano primário, coube a Dna. Terezinha do Canto Kraide a tarefa gratificante de me alfabetizar. Não me lembro das técnicas utilizadas, só recordo que ficava sentado no chão com minha mãe, brincando de montar sílabas com várias letrinhas desenhadas em cartolina, posteriormente recortadas em quadradinhos como um quebra cabeças.
     Naquela época as formas de condução da turma dentro da sala de aula era um pouco mais rígida por parte da autoridade dos docentes, e consistia em impor o respeito aos mais velhos e também aos colegas, para só assim poder ser respeitado.
     Algumas formas de castigo podiam ser empregadas, tais como a desmoralização total do engraçadinho perante o grupo, feita pela professora, colocando-o na carteira dos burros, defronte aos colegas e ao lado da mesa do mestre por um dia, uma semana, às vezes por um mês. Muitas vezes o castigo consistia em ficar de frente para o quadro negro em pé por algumas horas; ausência de intervalo (chamado de recreio ), quando o castigado ficava na sala de aula estudando tabuada no seu horário de descanso; e o pior de todos os castigos era ir falar com a diretora da escola, Dona Diva, que poderia punir com advertência escrita para os pais, suspensão temporária ou mesmo a expulsão da escola.
     No segundo ano, Dona Doraírtes Vitti, esposa do grande escritor piracicabano Lino Vitti, era a professora, e se dedicou a nos ingressar no mundo maravilhoso dos números, da matemática. Introduziu-nos noções básicas de situação geográfica, história do descobrimento e educação moral e cívica.
     No terceiro ano, Dona Maria Bononi complementou e fortaleceu as raízes da alfabetização nos exercitando com muita didática. E, no quarto ano primário, Dona Lourdes Bonilha iniciaria uma proposta de educação mais abrangente, nos preparando para ingressar-nos no curso ginasial.
     Da quinta a oitava série do ginásio, já tivemos que mudar de prédio. Do anexo ao Instituto, passamos efetivamente a freqüentar todo o prédio com aproximadamente 10.000 m2 de construção. Podíamos ir à Biblioteca; Começamos a participar de aulas de ciências no laboratório do Prof. Vail; Tínhamos aulas de desenho na respectiva sala com o Prof. Costa; Também podíamos participar das aulas de música no anfiteatro com o Prof. Gimenes.
     No intervalo, a freqüência já era mista com os mais velhos, alunos do colegial, que disputavam entre cotoveladas e chutes uma vaga no balcão da cantina do “Vardema” e da Dona Cida, para comprar uma paçoquinha ou uma coxinha sem varizes para enganar o estômago até a hora do almoço.
O horário das aulas era das 7h às 11h50’ e às vezes até 12h40’.
Muito tempo ainda depois do horário de aula, sem almoçar ia ter aulas de contrabaixo (rabecão ou viola de gamba) na Escola de Música de Piracicaba, escola que gozava de muito prestígio nos meios culturais de Piracicaba, cujos diretores eram o Maestro Ernest Mahle e sua esposa Dona Cidinha Mahle. E, como o curso era gratuito, só havia esse horário de aulas, e se eu quisesse aprender um pouquinho tinha que me submeter a esse desconforto.
     Na Escola de Música também vivi momentos muito agradáveis junto de bons amigos. E, por alguns anos freqüentei o coral da escola, com o qual fizemos muitas apresentações.
     Fui suspenso uma única vez em todo meu período acadêmico. Na sétima série, tivemos numa manhã a ausência de uma professora de francês. Como seu substituto também não estava disponível, ficaríamos sem aula durante os 50 minutos normais. Depois dessa “janela” era o horário do intervalo, então eu e meu grande amigo Quinho (Marcos Tadeu Ferraz de Arruda) que hoje é praticamente mais um irmão do que amigo, resolvemos pular a janela da sala de aula, que dava para o pátio do colégio, porém para nossa infelicidade, eu pulei e caí quase em cima do Seu Oscar, que era o servente da escola, e o Quinho muito animal, pulou atras e caiu em cima de nós dois. Saímos correndo feito loucos, sem sabermos para onde íamos, até alcançarmos a quadra feminina, onde acontecia ali, naquele momento, uma aula de educação física. Sentamos ali até Seu Oscar aparecer e nos levar com caras de bunda para a diretoria da escola.
Estava naquele dia Dona Iracema, professora de Educação Moral e Cívica como diretora substituta. Depois do sermão, fomos suspensos por três dias. Mas, em um desses três dias, iria ocorrer uma prova de Inglês, prova essa decisiva para fechar o semestre e consequentemente o ano letivo.
Quinho, mais esperto do que eu, no dia da prova, compareceu, recebeu a nota e ficou feliz da vida. Ninguém percebeu…só eu.
     Quando soube, fui ter com Dona Iracema, cobrando-lhe a possibilidade de também fazer a prova numa segunda alternativa, informando-lhe do acontecido com meu amigo. Além dela não me permitir fazer a prova, ainda cancelou a do Quinho que recebeu zero, ficou de recuperação, não pode viajar com os pais nas férias, e ficou quase um ano sem falar comigo. Hoje, depois de duas décadas, se toco nesse assunto, ele só espuma um pouco no canto da boca, mas não pensa mais em me matar.
     As emoções foram tantas nessa escola que, muito embora tenha passado por outras, quando me recordo do Sud, percebo que ele foi responsável por cristalizar em minha memória a imagem mais bonita que se poderia ter de um “Castelo Gigante” da educação, berço da cultura, sustentáculo da moral e do civismo, exemplo de didática, pai de poetas, músicos, pensadores, políticos, engenheiros, professores, médicos, advogados, vagabundos e desempregados.

criado por giordanocarlos    14:22 — Arquivado em: Crônicas

31.8.06

A Escola

A ESCOLA

Carlos Giordano Jr.

     Em 1969 estava estudando em um dos melhores Institutos de Ensino do Estado. A estrutura física era incrível, pois dispúnhamos de salas de desenho, artes, ciências, biologia, biblioteca e teatro com piano onde recebíamos aulas de música, isso tudo por conta do desejo de ter em seus filhos a realização do objetivo educacional, elaborado pelo eficiente corpo docente daquela Instituição, qual seja o de preparar o aluno para sofrer menos na vida.

     Nessa mesma época, embora muitos duvidassem, Neil Armstrong tinha ido dar um passeio na Lua, e eu aqui na Terra passeava tranqüilamente a caminho da escola. Morava na Treze de Maio, em frente ao “Paraíso das Cabras”, imenso terreno baldio, onde caprinos pastavam docemente, comendo restos da feira-livre do sábado. Naquele local também se instalava anualmente o Circo “Orlando Orfey”, para o delírio da garotada. A pé, descia a Treze de Maio, virava a Visconde do Rio Branco rumo ao Palmeirinhas, passava perto da casa da Olívia Carçuda, lá da família dos “polône”, onde desaguava o esgoto que vinha do Campo do XV, que fôra construído onde dantes houvera um lindo bosque silvestre, o qual era cortado por um bucólico fio d’água, que então canalizado por conta da construção do estádio, ia dar a céu aberto justamente na casa da Olívia, onde caçávamos guarú, com a intenção abominável de comê-los vivos para aprendermos a nadar. Era o folclore. E, seguia virando a Rua São José até a Alfredo Guedes, passando pela fábrica de balas “Beré”, depois, logo na esquina, um cheiro delicioso de café perfumava todo o bairro, cheiro este vindo da torrefação do famoso Café Morro Grande. E, antes de cortar caminho pela pracinha da Igreja Bom Jesus me deliciava com a possibilidade de ganhar uma bolacha de algum funcionário num dos vitrôs da fábrica Júpiter, que funcionava ali no largo, ao lado da fábrica de Macarrão Aurora, que era do mesmo dono. E, mais uma quadra, chegava no portão da Rua Bom Jesus já no Sud, aproximadamente quinze minutos depois de sair de casa. Na volta o mesmo percurso, só que com a barriga roncando de fome.

     Às vezes meu Pai ia buscar-nos com seu DKW 1967, motor de dois tempos, fedendo óleo queimado…coisa muito boa. Levava uns dezesseis minutos de viagem para chegarmos em casa!

     Mas, minha primeira experiência que me fez sentir o peso da vergonha e o calor do sangue enrubescendo a face, foi quando depois de um daqueles copos de leite, senti aquela vontade insuportável de cagar. Era criança ainda. Sei que corri para o banheiro que ficava ao lado da sala de aula, tinham dois, masculino e feminino, e para meu sufoco, encontrei-os ambos fechados, em uso. Bati, pedi, implorei, chorei, e quieto caguei. Caguei em mim mesmo, nas calças, nas pernas, no corpo. Caguei nas risadas dos colegas, na cara da professora, que não sabia se me limpava ou se me expulsava da sala. Caguei no choro doído e sentido de criança abandonada, ali no canto, só, triste, fedido e cagado. Que vergonha! Foi legal.

     Graças a Deus nunca me chamaram de cagão. 
    

criado por giordanocarlos    10:36 — Arquivado em: Crônicas

20.8.06

Maestrina Cíntia Pinotti

Maestrina Cíntia Pinotti

Pelos idos de 1978 comecei e não tive coragem de continuar. Dona Cidinha Mahle oferecia curso gratuito para contrabaixo na famosa Escola de Música de Piracicaba, na esperança de conseguir alguns candidatos a tocar na Orquestra.

Meu professor se chamava Sandor Molnar e era muito competente, mas nem por isso conseguiu fazer com que continuasse no estudo. As aulas infelizmente começavam às 12h30 depois do sinal soar no Sud Mennucci e terminava às 13h30, mas tínhamos que continuar estudando depois da aula, para aperfeiçoarmos as técnicas no instrumento.

Começamos eu e Walter Luis Valentini, o Waltão.

Os dedos ficavam em carne viva até criar um bom calo. Eu parei e Waltão virou músico dos bons tocando hoje como profissional na Orquestra Sinfônica de Campinas.

Naquela época tudo era divertido. Enfiamos-nos no Coral da Escola que era regido pelo maestro Ernest Mahle e sua amada Cidinha. Éramos uma boa turma de amigos que nos divertíamos muito com as cantorias e apresentações.

Junto de nós estava a Cíntia, que era embalada por sua mãe fazendo parte também do Coral. Ela parecia curtir ainda mais que todos, se dedicando sempre a estudar mais e mais querendo chegar à perfeição. Nós não, infelizmente.

Aquela fase da vida foi muito agradável, pois sentíamos na pele a suave sensação de estarmos participando de algo coletivo à bem da cultura. Promovendo cultura, fazendo música.

Logo paramos, imbuídos de outros objetivos de vida. Cíntia não. Ela continuou sempre e sempre, sem nunca desistir. Capacitou-se como que por ordem Divina a levar sua música a tantos rincões em companhia daqueles a quem se dedicaria de corpo e alma a torná-los muito mais felizes.

Hoje, maestrina e mulher de muita fibra, encanta a todos por onde passa, levando a harmonia de sons nas vozes daqueles que hoje aprenderam a amá-la e agradecendo pelo tanto que fez e que faz por todos que se aproximam da sua áurea, retribuem com suave encanto, o canto da felicidade.

Mais de setenta pessoas participam do Coral da ESALQ, onde Cíntia Pinotti é a doce maestrina. Sua força de vontade e determinação enobrecem ainda mais a sua jornada rumo à perfeição.

Atraindo pessoas da melhor idade para perto de si, oferece a eles a alegria de viver e de cantar, espantando para bem longe, todos os males da solidão. Sua importância na vida dessas pessoas não é por ela notado, pois lhe sobra simplicidade suficiente para não se importar com isso. Mas, com sua dedicação, sua força e seu carinho, conseguiu transformar a vida de muita gente para muito melhor.

Hoje, fui a uma apresentação do Coral na missa de comemoração do centenário do Lar dos Velhinhos em Piracicaba. Foi simplesmente divino. Minha mãe faz parte do coral com seus 74 anos bem vividos.

Cíntia se aproximou de mim e passando apressada disse:

- É muito bom estar ao lado de sua mãe!

Eu não pude responder. Não deu tempo.

Agora eu digo:

- Bom é o que você faz por ela.

Parabéns Cíntia Pinotti. Que Deus continue sendo generoso contigo, regendo a orquestra da sua vida, fazendo ecoar através da sua música, o verdadeiro amor que sempre dedicou ao próximo.

criado por giordanocarlos    22:06 — Arquivado em: Crônicas

15.8.06

Não perca o horário político por nada nesse mundo!

Assista o horário político

Um dia perguntaram à Dercy Gonçalves como ela podia ser tão feliz com a vida que teve, recheada de percalços e tantas decepções, e ela dando muita risada respondeu:

- É fácil cara, sempre fui ignorante. Quando a gente é ignorante acha tudo legal, não contesta nada, não pensa.

Queria ser igual à Dercy. Pelo menos até as eleições. Ficaria menos chato, menos crítico. Acho que mais feliz também.

Tenho vontade de explodir minha TV no horário político.

Se eu fosse ignorante, estaria mais feliz, como a grande maioria, escolhendo meus candidatos junto com minha família, na segurança de nosso lar, fugindo das balas perdidas, e felizes por estarmos recebendo muitos vales brindes, cestas brindes, auxílios brindes, remédios brindes e ambulâncias brindes da política pão e circo do Governo Federal.

 - Pra frente Brasil, salve a antiga seleção! Agora nova versão, com o Dunga no leme da canoa virada.

Assistam o horário político.

É muito estimulante. Assistam, é legal.

Convide os vizinhos, os parentes, aproveitem todos juntos…

Tem agora até Clodovil para Deputado Federal.

- Para o bem do Brasil, vote Clodovil. Legal.

 A gordinha horrorosa, rainha da dança da pizza que envergonhou a Nação estava lá na TV hoje, com sua carinha redondamente falsa pedindo voto. Queria ser mais um ignorante para votar nela também. Seria legal.

Tem o Rodrigo do Táxi também, que não conseguiu falar nada. Ficou calado ao lado de outro que não vi seu nome nem sei o que estava fazendo ali.

Tem uma bobinha lendo frases do gênero: pela discriminação do aborto e equiparação salarial para mulheres e coisa e tal. Vou discriminar votando nela também. Achei igualmente legal.

Na verdade, para ser político no Brasil, basta ser ignorante também e ter o firme propósito de, escurecendo nosso futuro com a sombra da mentira, trazer para o presente, a intenção de ver estampado no rosto do povo brasileiro a certeza de estar sendo novamente enganado.

E Lula que não apareceu no debate da Bandeirantes ontem!!!

Um verdadeiro ato de bravura, digno de sua espetacular carreira política.

Ele falou tanta besteira nas oportunidades que teve em aparições públicas, e principalmente nas campanhas pagas com meu dinheiro, que acho agora que deveria continuar pelo menos tendo alguma coragem de se defender em público aparecendo gratuitamente na minha TV. De qualquer forma queria muito ser ignorante para apoiá-lo também nas suas aventuras pela história do Brasil. Mas, se no meu futuro eu não for mais um ignorante, darei ao Lula, no máximo, meu total esquecimento.

Não perca o próximo horário político. Vai ser muito legal.

Assista esse circo e contrate depois com seu voto aquele que estará mais apto a trabalhar para nós no imenso picadeiro nacional.

Doe ouro para o Brasil.

Se não tiver mais, doe seu vale transporte.

criado por giordanocarlos    22:17 — Arquivado em: Crônicas

29.7.06

Covarde não ama

Covarde não ama

Carlos Giordano Jr.                                                          Inverno de 2006 

           Admirar o mundo ao lado dos amigos é realmente muito bom. O mundo continua lindo e ficará assim para sempre enquanto meus olhos puderem vê-lo como é. Embora pareça ser o mundo muito grande para se admirar, na verdade, os amigos é que não têm tido muito tempo para fazê-lo.

           Afinal, onde estará guardado esse tempo? Preciso dele, assim como de meus verdadeiros amigos.

           Alguns têm tempo, mas não têm mais a capacidade de dividi-lo com ninguém, outros não o tem por pura incompetência na sua administração. De uma forma ou de outra, os amigos se foram.

           As reuniões que se promovem na esperança de corroborar a amizade são vãs, não por intenção, senão por pura falta de respeito para com o sentimento do outro. Note que todos querem falar sobre si, enaltecendo seus problemas, na esperança de chamarem para si a complacência de outrem ou aumentando o poder de suas conquistas, para que se sintam impiedosamente superiores ao grupo. Isso, de uma forma ou de outra, traz uma falsa sensação de realização e notoriedade. Ou notado pela derrota ou pela vitória, mas notado.

          E o tempo passa, sem que se sinta absolutamente nada pelo outro. Simplesmente não têm tempo para com uma simples pergunta, transferir uma parcela de carinho para aquele a quem ama:

          - Como você está?  E, ouvir a resposta até o final.

         Tenho amigos, cujos pais estão velhos. Infelizmente, o tempo não é suficiente para sequer ouvi-los contarem sobre sua importância nesse mundo, compartilhando suas histórias e amenizando seus anseios com relação ao próximo passo rumo à felicidade. Vão morrer como velhos solitários, deixando apenas senão seus pertences, alguma passagem que será lembrada no sentido de fortalecer o ego de alguém. Assim é.

          Esses filhos, que deveriam ser os verdadeiros amigos de seus pais, não têm tempo. Não têm tempo para dividir com ninguém. Às vezes não terão tempo sequer para si mesmos, trazendo-lhes um enorme desconforto e inconformismo alternados, levando-os a perder o próprio sentido da vida.

          O sentido da vida está no plano de felicidade que herdamos de Jesus, onde o amor incondicional é a base e a razão. Não tivemos tempo de executá-lo. Matamos Jesus também, por pura falta de tempo e de coragem de assumirmos a Sua verdade.

         Acho que precisamos mesmo é de coragem para viver.

         Coragem para agirmos rumando afeto àqueles a quem dizemos amar.

         Coragem para acertarmos, experimentando nossos próprios erros em relação aos outros.

          Coragem para compartilharmos nossos melhores sentimentos.

          Coragem simplesmente para amar.

         

criado por giordanocarlos    9:40 — Arquivado em: Crônicas

12.7.06

Lançamento da Campanha do Saco Cheio

Campanha do Saco muito Cheio

Carlos Giordano Jr.

     Só poderia ser fruto de grande maestria e muita sabedoria essa minha invenção da Campanha Nacional do Saco Cheio.

     Para começar os donos das escolas, cientistas, professores, pesquisadores e alunos das grandes universidades, esgotados de tanta pressão nos estudos, tentando por todas as formas e maneiras descobrirem a vacina contra a grande maioria dos males que assolam a humanidade, dão um passo rumo ao despropósito a partir de hoje, ignorando todas as responsabilidades que recaem sobre si, se lançando ao relapso comodismo da fuga do nefelibata. É o que desejam, parece. Que sorte!

     Se tudo vira pizza no terceiro mundo… Porque tanta fome?

     Vamos todos então também, com o saco bem cheio, fugirmos daquilo que nos cansa e que nos aborrece a partir de agora.

     Os que têm sede poderiam ficar uma semana inteira tomando água. Os que têm fome ficariam comendo sem parar, como os americanos o fazem, engolindo tudo aquilo que vissem pela frente. Os pobres desgraçados, cansados de terem tanta esperança e fé em Deus, poderiam tirar uma semana de folga se entregando ao casuísmo. Também não seria de se estranhar se os médicos, tão bem remunerados em sua profissão, descansassem essa semana, atendendo graciosamente os doentes mais carentes e aflitos, ficando nas filas dos Hospitais Públicos só por curtição.

     Os “Sem Terra”, tão entusiasticamente apoiados pelo Governo, poderiam dar um tempo de uma semana, não recebendo nenhum apoio financeiro deixando a hipocrisia de lado. Os jogadores seriam punidos tendo que jogar pelo menos uma semana de bom futebol sem ganhar nada, a não ser vaias. E, claro, nossos políticos participariam safando-se de todo esgotamento que a retórica lhes causa, calando a própria boca por uma semaninha só, ademais poderiam dar um tempo de uma semana para os Cofres Públicos encherem de novo daquilo que eles mesmos roubaram.

     Os religiosos cansados de tanto a Ele pedir, poderiam apoiar nossa campanha para que com a humildade que lhes seria peculiar, oferecer de volta aos fiéis aquilo que essas tantas igrejas arrecadam com a mentira pregada pela venda da suposta felicidade.

     O dono do Jornal, esgotado de tanto informar, poderia ficar uma semana inteira se informando com o preciosismo da cultura televisiva global. Os tele-empregados poderiam se dar um tempo ouvindo por uma semana inteira as próprias besteiras que transmitem. Os telespectadores simplesmente desligariam a televisão por uma semana, assim, os anunciantes deixariam de encher nosso saco com tanta publicidade idiota, os gerentes de marketing dariam um tempo aos gerentes de vendas que deixariam os vendedores em paz ligando para pelo menos um de seus clientes pedindo pelo Amor de Deus para comprarem algo. Os vendedores irritados, descansariam consumindo os produtos dos vendedores vizinhos. Os clientes fechando tudo e nos deixando em paz com suas ofertas e promoções, fariam com que deixássemos de gastar pela nossa também rebeldia, rasgando nossos talões de cheques e queimando a droga do cartão de crédito e o banco que se ferre com nossas dívidas que eles mesmos mascaram.

     Quem estivesse com o saco cheio da mulher, poderia dar um descanso experimentando ser homossexual por uma semana, para ver as coisas se encaixando melhor e por longos sete dias os travestis cansados de tanta exibição, deixariam a barba crescer para ver o que é bom. As mulheres dariam um tempo sendo felizes sem o cartão de crédito.

     Os cozinheiros esgotados, poderiam passar a semana toda comendo Big Macs. O Big Mac venderia comida de verdade. Os engenheiros poderiam relaxar um pouco nos seus cálculos estruturais, para a alegria dos donos das obras, enquanto gozariam apoiando nossa Campanha do Saco Cheio. Os motoristas de ônibus ofereceriam a sua contribuição descansando e deixando descansar a todos os motoristas de veículos particulares que rodam solitários pelos grandes centros urbanos. Nessa semana, dando incondicional apoio à Campanha, os usineiros nos presenteariam nos dando uma trégua e aos nossos narizes sofridos, simplesmente se cansando de colocarem fogo nos canaviais, devolvendo-nos nosso Céu Azul. Os industriais, sofridos por serem cobrados por poluírem nossos rios com o lixo podre de sua pobre produção, poderiam se rebelar despejando por uma semana inteira água tratada em seus esgotos.

     O dono da escola, cansado de tanto ganhar e que inaugurou nossa Campanha, poderia descansar, repassando a todos os sofridos pais de alunos, um desconto no valor correspondente a uma semana de sossego e saco bem cheio. Nós, os pais, cansados de tanto trabalhar para podermos pagar as mensalidades absurdas cobradas pelas Universidades que estarão também em folga, tiraríamos um bom descanso deixando a inadimplência atingir desordenadamente o bolso do dono da escola. Daí que eu quero ver.

Apóie mais essa droga de Campanha.

Doe ouro para mim.

O do Brasil já levaram.

criado por giordanocarlos    21:51 — Arquivado em: Crônicas

2.7.06

Que vergonha, Brasil

Que vergonha, Brasil!!!

Carlos Giordano Jr.

Interessante que eu escreví isso no dia 18 de Junho!!!

"Me perdoem Parreira por seu empenho frente a Penta Seleção Canarinho, Seu Zagalo e sua história com o número 13, pela sua corajosa dedicação , e os jogadores que coitados, não tiveram tanta sorte para que a bola tivesse entrado sozinha no gol adversário. Mas por favor, humildemente se envergonhem disso, demonstrando ao povo brasileiro que com o erro se aprende. Joguem com amor, com vontade de campeão ou vão trabalhar na construção civil, no cais de Santos como estivadores, ou no cabo de um facão no corte de cana, mas deixem-nos em paz, não nos permitindo sofrermos pela vergonha de sermos brasileiros".

Estava certo.

Jogo sem jogo, luta sem briga, onde vaidade e soberba enxugaram o suor que não molhou e as lágrimas secas que mancharam os rostos daqueles que entregaram nossos ardentes corações ao frio de mais uma derrota.

Volta Brasil, volta para o trabalho, esquece essa ilusão.

Só seremos campeões quando nosso grito de guerra vencer aqueles que nos tentarem levar mais uma vez  à dor que a mentira nos causa.

Volta Brasil !!!

criado por giordanocarlos    23:06 — Arquivado em: Crônicas

22.6.06

8.000 acessos - Obrigado

 

Obrigado,

A todos que se interessam pelos meus causos

Pela paciência por lerem minhas crônicas

Por enviarem alguns bonitos textos

Àqueles que são família e àqueles que ainda não conheço

Por se interessarem por minhas poesias

Por experimentarem minhas receitas

Por criticarem minhas críticas

E pelos doces comentários

Obrigado pelos 8.000 acessos !!!

Post mais acessado:

 http://carlosgiordano.blog.terra.com.br/eu_te_amo

Abraço pra todos!!!

criado por giordanocarlos    14:44 — Arquivado em: Crônicas

18.6.06

Salve a seleção!!!

Pela conquista do nada

Carlos Giordano Jr.

Ora, ora, que triste e vergonhosa realidade…

Assistimos desolados nosso rico País se entregar ao declínio aniquilante, absoluto e revoltante da diplomática e internacionalmente conhecida maneira de nos projetarmos no cenário internacional através do esporte.

O esporte proporciona a integração política, social e cultural de todos os povos, sempre que, naturalmente, numa competição internacional, se colocam em questão, toda competência e capacidade de vencer de cada País, dando imensa oportunidade de demonstrar ao mundo o nível de sua estrutura administrativa.

Nosso cenário, hoje refletido impiedosamente nos principais matutinos mundo afora, retrata nossa total incapacidade de gerirmos nossos inesgotáveis recursos enquanto sociedade emergente ou classificada como desenvolvente. A forma de condução de temas sociais tem sido voluntariamente castigada pelos resultados colhidos na safra podre da corrupção, no abandono dos conceitos de ética, honra e honestidade, na inversão de valores comportamentais, no descaso enfermo da incompetente ordem jurídica de se fazer uso da nossa já desgastada Constituição.

Ao soar dos tambores, partimos com alguns milhões de nossos já arrombados bolsos, para financiarmos meramente uma estúpida tentativa de resgatarmos publicamente valores já extintos da nossa doente administração.

O ministro Gilberto Gil, conduzindo sabidamente a batuta de regente, presenteou a todos os torcedores brasileiros e alemães com shows, batuques e esquindolelês demonstrando nosso gingado corrupto, tentando fazer festa com o choro do povo que padece por aqui indignado afogando suas magoas no balcão do bar.

A CBF agradece o empenho e o desencaixe de verbas do tesouro, nos presenteando até agora com um quase medíocre futebol de várzea, que se por ordem Divina não acontecessem os gols, teriam sido também, júbilos louros meritórios de vitória incontinente, individualista e corajosa de alguns atletas que por terrível engano não tiveram acesso aos assédios milionários da mídia dos Ronaldos.

No apito inicial da peleja inaugural de nossa melhor competência, o futebol, já tínhamos queimado boa soma em viagens, hospedagens em hotéis luxuosos, muita mordomia e demais absurdos que culminariam em uma péssima apresentação. Placar mixuruca de 1 a zero, quase nada. Ganhou mas não convenceu ninguém. Nem um pouco de circo para nós nos alegrarmos e continuarmos nos imaginando o País (mais corrupto) do futebol.

Me perdoem Parreira por seu empenho frente a Penta Seleção Canarinho, Seu Zagalo e sua história com o número 13, pela sua corajosa dedicação , e os jogadores que coitados, não tiveram tanta sorte para que a bola tivesse entrado sozinha no gol adversário. Mas por favor, humildemente se envergonhem disso, demonstrando ao povo brasileiro que com o erro se aprende. Joguem com amor, com vontade de campeão ou vão trabalhar na construção civil, no cais de Santos como estivadores, ou no cabo de um facão no corte de cana, mas deixem-nos em paz, não nos permitindo sofrermos pela vergonha de sermos brasileiros.

O gasto advindo dessa grande demonstração de desafeto para com a Nação impossibilitará a construção de cerca de milhares de casas populares que abrigariam seguramente muitos brasileiros, que hoje vivem sem esperanças de conseguirem um teto.

Nessa corrida rumo ao hexa, demonstramos nossa incapacidade por não conseguirmos produzir sequer uma manifestação de força, de união, de prestígio, de garra contra tudo e contra todos os que jogam contra nossa vontade ou simplesmente manifestação de coragem. Seguimos protegendo os incapazes, dando explicações de nosso fracasso a quem gostaria de ver somente nosso bom futebol.

Porém, com a Copa na mão ou sem ela, acreditamos que o espírito do povo brasileiro será ainda mais nobre ao conseguir tirar da jogada final, aqueles que competirão entre si, para conseguirem um lugar ao sol na administração pública, seja como Presidente ou como Governador, e ao final do mandato, infelizmente com o nosso apoio, terão novamente nos presenteado com uma linda Copa de latão pela conquista do nada.

Salve a Seleção!

criado por giordanocarlos    20:32 — Arquivado em: Crônicas

17.5.06

Proseando com o neto que ainda não tenho

Proseando com o neto que ainda não tenho

Carlos Giordano Jr.

 

-Mas vô, porque você não fez nada?

-Eu tentei. Aliás muita gente tentou.

-E porque vocês não conseguiram?

-Porque a maioria dos governantes eram muito egoístas. Durante anos deixaram de investir na educação do povo brasileiro e conseguiram gerar uma Nação de impotentes que sequer conseguiam expressar suas idéias de forma clara.

-Mas eu não entendo muito bem o que se conta na nossa história. Aquele presidente Lula era ou não um grande articulador político?

-Na verdade, meu neto, naquela época, minha geração incauta, acreditou nas promessas de justiças sociais de Lula concedendo lugar de destaque a ele nas estatísticas das urnas.

-E ele mentiu para o povo, vô?

-Infelizmente mentiu para o povo e para si mesmo, acredito. Viveu uma mentira criada por ele e por seus asseclas que tinham sede de poder e por esse poder corromperam totalmente as instituições colocando em cheque a própria identidade do país. Roubaram o país escancaradamente e se ocultaram sob o domínio da falsa moral como covardes.

-Mas como pôde ceder aos interesses minoritários daquele índio venezuelano que escancarava seu plano indecente de solapar nossa soberania e dos países da América Latina?

-Pois é, você ainda é uma criança e já entende o que muitos não conseguiram ver.

-Que absurdo! E daí vô, o que aconteceu de verdade?

-Foi muito duro viver naquele momento. Confesso a você que pretendi sair do país por ver tanta podridão, tanta impunidade, tanta demonstração de soberba e injustiças cometidas contra o Brasil e contra a sociedade brasileira. Senti no peito uma dor profunda, vendo meu orgulho de ser brasileiro morrer aos poucos. Nossa família sofreu muito enquanto experimentava o terror pela falta de rumo, pela falta de opções e pela incompreensão gerada na inversão dos valores que nos fora atribuídos pela nossa antiga educação. Quem era justo e honrado passou a ser humilhado pelos desonestos e amorais. Tudo foi colocado em cheque. Nada mais tinha valor e as pessoas sofriam de angústias, medos e depressões. O povo estava totalmente insatisfeito com o que havia construído.

-E como conseguiram passar por tudo isso?

-Com união e perseverança. Em nossa casa, a fé em Deus e a crença no Plano de Felicidade oferecido por Jesus nos pautavam. Sabíamos que abrindo mão de nossos desejos materiais, poderíamos experimentar um pouco mais de alegria e paz. Quanto menos queríamos, mais podíamos nos satisfazer ao contrário de muitos que já não sabiam nem mais o que querer.

-E o Brasil, como fez para se defender do plano de Lula?

-O povo se ergueu, cansara definitivamente de mentiras e tirando-o da política de uma vez por todas, deu oportunidades às novas idéias e, novos líderes que tinham ideais simples e calcados na moral e na responsabilidade surgiram e foram convidados a trabalhar para o povo e pelo povo. Aos poucos perceberam que a educação e a capacitação profissional dos brasileiros seriam as armas necessárias para trazer a tão sonhada alegria de viver. O respeito pela família e pelos valores morais foi restabelecido.

-E na política vô, o que aconteceu?

- A ordem e a justiça foram resgatados no Congresso Nacional, pois todos os deputados que participaram de forma vil daquela podridão política, foram banidos também das urnas não recebendo nenhum voto sequer. A população toda já sabia quem eram eles e o silêncio se fez presente na hora do voto.

-E o Lula, o que fez?

-Nada, meu neto, não fez nada. A única coisa que conseguiu fazer foi roubar o sonho de uma nação e fazer parte da história do Brasil que ninguém mais quer lembrar.

criado por giordanocarlos    13:18 — Arquivado em: Crônicas

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