Na sombra de um coqueiro

Divirta-se com Causos, Crônicas, Poesias, Família, Fogão de lenha, No pé do coqueiro, Tocando a Tuba. (Vedada pelo autor a Criação de Obras Derivadas) Você não pode reproduzir, alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.

20.8.06

Maestrina Cíntia Pinotti

Maestrina Cíntia Pinotti

Pelos idos de 1978 comecei e não tive coragem de continuar. Dona Cidinha Mahle oferecia curso gratuito para contrabaixo na famosa Escola de Música de Piracicaba, na esperança de conseguir alguns candidatos a tocar na Orquestra.

Meu professor se chamava Sandor Molnar e era muito competente, mas nem por isso conseguiu fazer com que continuasse no estudo. As aulas infelizmente começavam às 12h30 depois do sinal soar no Sud Mennucci e terminava às 13h30, mas tínhamos que continuar estudando depois da aula, para aperfeiçoarmos as técnicas no instrumento.

Começamos eu e Walter Luis Valentini, o Waltão.

Os dedos ficavam em carne viva até criar um bom calo. Eu parei e Waltão virou músico dos bons tocando hoje como profissional na Orquestra Sinfônica de Campinas.

Naquela época tudo era divertido. Enfiamos-nos no Coral da Escola que era regido pelo maestro Ernest Mahle e sua amada Cidinha. Éramos uma boa turma de amigos que nos divertíamos muito com as cantorias e apresentações.

Junto de nós estava a Cíntia, que era embalada por sua mãe fazendo parte também do Coral. Ela parecia curtir ainda mais que todos, se dedicando sempre a estudar mais e mais querendo chegar à perfeição. Nós não, infelizmente.

Aquela fase da vida foi muito agradável, pois sentíamos na pele a suave sensação de estarmos participando de algo coletivo à bem da cultura. Promovendo cultura, fazendo música.

Logo paramos, imbuídos de outros objetivos de vida. Cíntia não. Ela continuou sempre e sempre, sem nunca desistir. Capacitou-se como que por ordem Divina a levar sua música a tantos rincões em companhia daqueles a quem se dedicaria de corpo e alma a torná-los muito mais felizes.

Hoje, maestrina e mulher de muita fibra, encanta a todos por onde passa, levando a harmonia de sons nas vozes daqueles que hoje aprenderam a amá-la e agradecendo pelo tanto que fez e que faz por todos que se aproximam da sua áurea, retribuem com suave encanto, o canto da felicidade.

Mais de setenta pessoas participam do Coral da ESALQ, onde Cíntia Pinotti é a doce maestrina. Sua força de vontade e determinação enobrecem ainda mais a sua jornada rumo à perfeição.

Atraindo pessoas da melhor idade para perto de si, oferece a eles a alegria de viver e de cantar, espantando para bem longe, todos os males da solidão. Sua importância na vida dessas pessoas não é por ela notado, pois lhe sobra simplicidade suficiente para não se importar com isso. Mas, com sua dedicação, sua força e seu carinho, conseguiu transformar a vida de muita gente para muito melhor.

Hoje, fui a uma apresentação do Coral na missa de comemoração do centenário do Lar dos Velhinhos em Piracicaba. Foi simplesmente divino. Minha mãe faz parte do coral com seus 74 anos bem vividos.

Cíntia se aproximou de mim e passando apressada disse:

- É muito bom estar ao lado de sua mãe!

Eu não pude responder. Não deu tempo.

Agora eu digo:

- Bom é o que você faz por ela.

Parabéns Cíntia Pinotti. Que Deus continue sendo generoso contigo, regendo a orquestra da sua vida, fazendo ecoar através da sua música, o verdadeiro amor que sempre dedicou ao próximo.

criado por giordanocarlos    22:06 — Arquivado em: Crônicas

1 Comentário »

  1. Comentário por Roberto Saeta Moya — 21.8.06 @ 9:51

    Giorda e demais amigos

    E pensar que estamos falando de SO uns 30 anos atras….que medo

    Cintia, toda uma historia vivida para e com a a musica

    Bejao

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