Na sombra de um coqueiro

Divirta-se com Causos, Crônicas, Poesias, Família, Fogão de lenha, No pé do coqueiro, Tocando a Tuba. (Vedada pelo autor a Criação de Obras Derivadas) Você não pode reproduzir, alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.

27.6.06

Dér Mundo - O homem mais bravo do Mundo

O homem mais bravo do mundo

Carlos Giordano Jr.

Dér Mundo era filho de uma inspetora de alunos no Sud Mennucci, templo sagrado do ensino secundário em Piracicaba. Por isso, Serginho Dér Mundo era terrivelmente perseguido pelos amigos com brincadeiras que ele mesmo as odiava. O apelido veio disso. De tão bravo que era com as pegadinhas que nunca as aceitava, acabava brigando com tudo e com todos, e acabou levando o codinome de “El hombre mas bravo del mundo” e que abreviado virou Dér Mundo (no idioma caipiracicabano).

Dér Mundo cresceu e foi parar na Universidade. Com os amigos acabou fundando a famosa República “A Cuzada” que ficava ali na Barão de Itapura em Campinas. As festas rolavam sempre numa boa, com muita badalação e alegria. Mas, pegar no pé de “Dér Mundo” era o deleite da moçada.

Um dia, tudo combinado e acertado com planos previamente arquitetados, resolvemos moer a cabeça de Dér Mundo. Ele chegou do centro da cidade trazendo uma linda calça jeans que comprara para sua namorada, pagando os tubos. A calça veio embrulhadinha pra presente. Ele deixou-a em cima da mesa e foi para o banho, preparando-se para a festinha que faria pelo dia dos namorados. Abrimos com jeitinho o embrulho, e com muita safadeza, trocamos a calça por outra suja e velha que a empregada deixara na dispensa. O pacote foi refeito esperando pelo seu dono.

Não se contendo de alegria, Dér Mundo resolveu mostrar pra Galera a bela compra que tinha feito antes de sair e abrindo a caixa notou a grande diferença.

- Puta merda, trocaram a calça…Não acredito, que loja desgraçada, paguei uma puta nota e olha a droga que me puseram no embrulho.

Revoltado, Dér Mundo correu para o ponto de ônibus a alguns metros acima, na Avenida, e ali ficou espumando a boca e xingando o mundo. Simplesmente puto, revoltado com a vida.

Pegou o ônibus para ir trocar a calça.

Ônibus lotado às seis da tarde.

Passou em frente da A Cuzada e viu a todos nós na maior gargalhada segurando a verdadeira calça estendida. Dér Mundo desceu do ônibus uns sete pontos avenida abaixo, subiu a ladeira correndo e babando e perdeu a amizade com todos por muitos dias.

Tenho saudade de Dér Mundo.

Esse era realmente o cara mais bravo do mundo.

Só se lascava.

criado por giordanocarlos    16:06 — Arquivado em: Causos

22.6.06

8.000 acessos - Obrigado

 

Obrigado,

A todos que se interessam pelos meus causos

Pela paciência por lerem minhas crônicas

Por enviarem alguns bonitos textos

Àqueles que são família e àqueles que ainda não conheço

Por se interessarem por minhas poesias

Por experimentarem minhas receitas

Por criticarem minhas críticas

E pelos doces comentários

Obrigado pelos 8.000 acessos !!!

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Abraço pra todos!!!

criado por giordanocarlos    14:44 — Arquivado em: Crônicas

18.6.06

Salve a seleção!!!

Pela conquista do nada

Carlos Giordano Jr.

Ora, ora, que triste e vergonhosa realidade…

Assistimos desolados nosso rico País se entregar ao declínio aniquilante, absoluto e revoltante da diplomática e internacionalmente conhecida maneira de nos projetarmos no cenário internacional através do esporte.

O esporte proporciona a integração política, social e cultural de todos os povos, sempre que, naturalmente, numa competição internacional, se colocam em questão, toda competência e capacidade de vencer de cada País, dando imensa oportunidade de demonstrar ao mundo o nível de sua estrutura administrativa.

Nosso cenário, hoje refletido impiedosamente nos principais matutinos mundo afora, retrata nossa total incapacidade de gerirmos nossos inesgotáveis recursos enquanto sociedade emergente ou classificada como desenvolvente. A forma de condução de temas sociais tem sido voluntariamente castigada pelos resultados colhidos na safra podre da corrupção, no abandono dos conceitos de ética, honra e honestidade, na inversão de valores comportamentais, no descaso enfermo da incompetente ordem jurídica de se fazer uso da nossa já desgastada Constituição.

Ao soar dos tambores, partimos com alguns milhões de nossos já arrombados bolsos, para financiarmos meramente uma estúpida tentativa de resgatarmos publicamente valores já extintos da nossa doente administração.

O ministro Gilberto Gil, conduzindo sabidamente a batuta de regente, presenteou a todos os torcedores brasileiros e alemães com shows, batuques e esquindolelês demonstrando nosso gingado corrupto, tentando fazer festa com o choro do povo que padece por aqui indignado afogando suas magoas no balcão do bar.

A CBF agradece o empenho e o desencaixe de verbas do tesouro, nos presenteando até agora com um quase medíocre futebol de várzea, que se por ordem Divina não acontecessem os gols, teriam sido também, júbilos louros meritórios de vitória incontinente, individualista e corajosa de alguns atletas que por terrível engano não tiveram acesso aos assédios milionários da mídia dos Ronaldos.

No apito inicial da peleja inaugural de nossa melhor competência, o futebol, já tínhamos queimado boa soma em viagens, hospedagens em hotéis luxuosos, muita mordomia e demais absurdos que culminariam em uma péssima apresentação. Placar mixuruca de 1 a zero, quase nada. Ganhou mas não convenceu ninguém. Nem um pouco de circo para nós nos alegrarmos e continuarmos nos imaginando o País (mais corrupto) do futebol.

Me perdoem Parreira por seu empenho frente a Penta Seleção Canarinho, Seu Zagalo e sua história com o número 13, pela sua corajosa dedicação , e os jogadores que coitados, não tiveram tanta sorte para que a bola tivesse entrado sozinha no gol adversário. Mas por favor, humildemente se envergonhem disso, demonstrando ao povo brasileiro que com o erro se aprende. Joguem com amor, com vontade de campeão ou vão trabalhar na construção civil, no cais de Santos como estivadores, ou no cabo de um facão no corte de cana, mas deixem-nos em paz, não nos permitindo sofrermos pela vergonha de sermos brasileiros.

O gasto advindo dessa grande demonstração de desafeto para com a Nação impossibilitará a construção de cerca de milhares de casas populares que abrigariam seguramente muitos brasileiros, que hoje vivem sem esperanças de conseguirem um teto.

Nessa corrida rumo ao hexa, demonstramos nossa incapacidade por não conseguirmos produzir sequer uma manifestação de força, de união, de prestígio, de garra contra tudo e contra todos os que jogam contra nossa vontade ou simplesmente manifestação de coragem. Seguimos protegendo os incapazes, dando explicações de nosso fracasso a quem gostaria de ver somente nosso bom futebol.

Porém, com a Copa na mão ou sem ela, acreditamos que o espírito do povo brasileiro será ainda mais nobre ao conseguir tirar da jogada final, aqueles que competirão entre si, para conseguirem um lugar ao sol na administração pública, seja como Presidente ou como Governador, e ao final do mandato, infelizmente com o nosso apoio, terão novamente nos presenteado com uma linda Copa de latão pela conquista do nada.

Salve a Seleção!

criado por giordanocarlos    20:32 — Arquivado em: Crônicas

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