Na sombra de um coqueiro

Divirta-se com Causos, Crônicas, Poesias, Família, Fogão de lenha, No pé do coqueiro, Tocando a Tuba. (Vedada pelo autor a Criação de Obras Derivadas) Você não pode reproduzir, alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.

27.5.06

Bloqueadores de Celular

 VENDE-SE BLOQUEADORES SUPER EFICIENTES PARA CELULAR

01. Martelos e marretas: R$7,00 (para ferrar o celular)

02. Ácido sulfúrico: R$ 5,00 (para pingar no teclado)

03. Balde plástico com água salgada: R$3,00 (para mergulhar)

04. Seu Zé (desempregado) - R$300,00 por mês para vistoriar os visitantes dos presídios.

05. Retirar a bateria e devolver o aparelho - Grátis.

06. Rojão - R$3,50 (explodir na orelha do preso encontrado falando no celular)

07. Pedaço de pau - grátis (para moer a cabeça dos advogados de porta de cadeia)

08. Cutelo - R$15,00 (para cortar a mão dos corrúptos)

09. Afiador de cutelo - R$10,00 (vai precisar muito)

criado por giordanocarlos    10:19 — Arquivado em: Tocando a Tuba

25.5.06

Arroz com Lula

Arroz com Lula

Carlos Giordano Jr.

Meu pai gostava muito. Mas é de difícil preparo.

1 kg de Lula cortada em rodelas, Sal, Manjericão (um punhado), 3 tomates maduros, Salsinha e cebolinha, 1 cebola grande, 3 dentes de alho picados, 3 xícaras de Arroz Arbóreo, 1 taça de Chardonay.

 A lula tem dois pontos de cocção: cinco minutos e fica macia e tenra, como camarão e 30 minutos e fica de novo macia pelo cozimento, mas já sem seu suco.

Ao vê-las expostas no gelo picado sobre o balcão dos mercados praianos, devem reparar na sua coloração levemente rosa, com colorido destacado e aroma adocicado. Compre-as com orgulho pela decisão acertada. Nunca vacile. Se não sentir firmeza, fuja.

Limpe-as em casa sacando as fibras internas que parecem plástico. Lembre-se de abrir entre os tentáculos e retirar a boquinha. Se quiser pode separar com cuidado um pequenino saco de tinta que está dentro dela para colocar no risoto de “calamares en su tinta”, muito apreciado por gourmets. Corte-as em tirinhas ou em anéis. Não coloque sal para não desidrata-las. Nem limão.

Doure as cebolas em bom azeite, junte os alhos picados sentindo todo seu buquê. Nessa hora acho que poderia abrir um bom “Chardonay” geladinho para levá-lo ao delírio. Com o fogo alto, junte as lulas e deixe por 3 minutos somente, coloque um copo desse mesmo Chardonay no cozimento e reserve.

Faça o arroz como de costume (risoto italiano) adicionando se quiser um caldo de peixe, com a distinta diferença de nesta receita, colocar um pouquinho de amor a mais.

Antes que fique pronto, junte os tomates sem pele e sem sementes cortados em cubinhos,, adicione as lulas reservadas com o suco do vinho. A salsinha batidinha com o manjericão, polvilhadas por cima da travessa, terminam a decoração deste manjar de Netuno.

Deseje a todos os convidados a fartura que merecem.

Brinde à vida e à presença deles.

Comem e se fartam seis normais, que esperarão por trinta minutos pelo seu carinho.

Dica:

Cozinhar Lula por quatro anos e não conseguir engolir é realmente uma dureza. E tem gente que ainda quer cozinhar mais quatro…  Ninguém merece!!!

criado por giordanocarlos    18:36 — Arquivado em: Fogão de lenha

Corrente pra Frente

Corrente pra Frente

Enviado por Angelo

O desenho Corrente pra Frente ganhou o 1º lugar no Festival de Desenho Animado.

Forte e verdadeiro, infelizmente!!!

O Brasil vai parar para ver a Copa e esquecerá por algum tempo de suas desgraças,de suas pobrezas, de seus podres políticos…

Assista:

http://www.laboratoriodedesenhos.com.br/corrente_page.htm

 

Bom dia!!!

criado por giordanocarlos    9:58 — Arquivado em: Fala pra mim

23.5.06

Pedindo em namoro

Pedindo em namoro - verão de 1981

Carlos Giordano Jr.

Ficamos juntos naquele carnaval. Nenhum beijo. Março de 1981… Lúcia trabalhava numa escola de inglês na Capital. Estudava Psicologia. Eu morava em Campinas, trabalhava como vendedor de óleo para queima em caldeiras e diesel para grandes consumidores. Estudava Economia na Pontifícia Universidade Católica.

Na Sexta-feira ela chegou de São Paulo trazendo consigo o destino do meu coração. Em Piracicaba nos encontramos. Fui buscá-la na casa de seus tios Elydio e Lenis, e como num sonho, ela apareceu com seu sorriso encantador. Demonstrou-me carinho. Seu rosto era lindo. Seus cabelos negros contrastavam com sua pele branca como a seda, realçando sua expressão de afeto. A paixão me envolveu. Entrou no carro, me deu um beijo no rosto…Que perfume delicioso…Momento de muito desejo. Saímos para passear, mas não sabíamos aonde ir. Andei, andei, andei e acabei parando o carro em frente ao antigo Restaurante Flamboyant, que era muito bem freqüentado na época.

- Vamos conversar um pouco aqui no carro?

- Tudo bem…

Eu tinha ensaiado a semana inteira para ter o que falar na hora certa. Naquele instante, nada me vinha à mente. Só conseguia olhar no fundo de seus olhos encantadores, e desejá-la. Meu coração disparado não conseguia esconder meu sentimento, que no rubor de minha face, escancarava minha insegurança. Ora, como namorar uma moça tão linda sem ao menos perguntar a ela sobre seus sentimentos… E lá vai…

- Lúcia, eu adoraria namorar com você. Acha que daria certo?

- Você quer mesmo?

Oh! Meu Deus, ela me respondeu com outra pergunta…O que passa pela cabeça dela? Será que não era o momento certo? Foram segundos que demoraram uma eternidade para passar…

- Lógico. É o que mais quero na vida!

- Mas eu estou em São Paulo e você em Campinas. Acho que vai ser difícil nos encontrarmos. Será que vai dar certo?

Neste momento, eu já sabia que ela compartilhava comigo o mesmo desejo. Deus estava de novo ao meu lado. Tinha me concedido sua maior graça, me enviando um presente. Deu-me a Lúcia, aquela que seria o todo da minha parte, a linha do meu horizonte, o Sol do meu paraíso, o sangue de minhas veias, e a mãe dos filhos que ainda não tinha.

- Vamos namorar?

- Ah! Então vamos tentar…

Que alegria… Não sabia o que fazer…Então, nossos lábios se encontraram pela primeira vez. Naquele beijo tão desejado, com todo nosso calor, selamos ali o nosso futuro. Abracei-a bem forte, envolvendo-a num manto de proteção, amor e carinho. Seguramente ela também nunca se esquecerá daquele momento tão radiante de nossas vidas. Eu tinha me reservado por quase vinte anos àquele maravilhoso instante de carinho. E, pude então, senti-lo com absoluto vigor e intensidade, sorvendo com mérito de homem já maduro o prazer de poder simplesmente existir e amar.

Ficamos juntos naquele final de semana. Eu não podia deixá-la ir… Mas, no Domingo ela se foi, deixando para traz toda certeza que eu queria ter. Afinal, agora, ela era minha, só minha, para sempre.

criado por giordanocarlos    20:31 — Arquivado em: Família

21.5.06

Codigo da Vinci - esclarecimentos

Esclarecimentos sobre o "Código da Vinci"

Cardeal Geraldo Majella Agnelo Presidente da CNBB

17 de maio de 2006

A difusão do livro "O Código Da Vinci", de Dan Brown, e do filme baseado sobre a obra, tem suscitado em muitas pessoas perplexidades, dúvidas e confusão a respeito de algumas verdades fundamentais da fé cristã referentes a Jesus Cristo e à Igreja. A CNBB, consciente de sua responsabilidade em relação à defesa da verdadeira fé da Igreja, vem a público para prestar alguns esclarecimentos.

Não devemos esquecer que a obra em questão é de ficção e não retrata a história de Jesus, nem da Igreja. Não se pode atribuir verdade às afirmações claras ou veladas do autor. O que é fantasia deve ser lido e entendido como fantasia. As únicas fontes dignas de fé sobre a vida de Jesus e o início da Igreja são os textos do Novo Testamento, da Bíblia. A história da Igreja, depois dos apóstolos, está retratada em obras de caráter histórico, cujas afirmações são respaldadas pelo rigor do método histórico.

Alertamos, portanto, que a obra, no seu gênero fantasioso, apresenta uma imagem profundamente distorcida de Jesus Cristo, que está em contraste com as pesquisas e afirmações de estudiosos de diversas áreas das ciências humanas, da teologia e dos estudos bíblicos, ao longo de dois mil anos de história do cristianismo.

É lamentável que a obra, com roupagem pseudo-científica, se ponha a versar de maneira leviana e desrespeitosa sobre convicções tão sagradas para os cristãos.

Muitos cristãos sentem-se feridos em sua fé e nas convicções que lhes são profundamente caras. Outras pessoas são induzidas à dúvida sobre verdades da fé pregadas pela Igreja, desde sua origem, e transmitidas de geração em geração, com zelosa fidelidade à doutrina dos apóstolos. Ainda outras são levadas, inclusive, a levantar suspeitas sobre a honestidade da Igreja nas afirmações de fé sobre Jesus Cristo, seu divino fundador.

Diante disso, afirmamos, com toda convicção, que a Igreja, de forma alguma, ocultou no passado, nem oculta no presente, a verdade sobre Jesus Cristo e sobre a origem dela própria.

A Igreja não pode deixar de afirmar o sagrado patrimônio das verdades a respeito de Jesus Cristo e sobre si mesma, que ela recebeu dos apóstolos.

Convidamos todos a lerem os Evangelhos e demais textos do Novo Testamento da Bíblia, para encontrarem aí a imagem de Jesus Cristo, assim como é anunciada pela pregação da Igreja desde as suas origens. Por outro lado a leitura de algum bom livro de história da Igreja – e existem muitos! - poderá ajudar a conhecer a verdade histórica sobre a Igreja, que não é oculta nem subtraída ao conhecimento de quem quer que seja.

criado por giordanocarlos    20:41 — Arquivado em: Fala pra mim

17.5.06

Proseando com o neto que ainda não tenho

Proseando com o neto que ainda não tenho

Carlos Giordano Jr.

 

-Mas vô, porque você não fez nada?

-Eu tentei. Aliás muita gente tentou.

-E porque vocês não conseguiram?

-Porque a maioria dos governantes eram muito egoístas. Durante anos deixaram de investir na educação do povo brasileiro e conseguiram gerar uma Nação de impotentes que sequer conseguiam expressar suas idéias de forma clara.

-Mas eu não entendo muito bem o que se conta na nossa história. Aquele presidente Lula era ou não um grande articulador político?

-Na verdade, meu neto, naquela época, minha geração incauta, acreditou nas promessas de justiças sociais de Lula concedendo lugar de destaque a ele nas estatísticas das urnas.

-E ele mentiu para o povo, vô?

-Infelizmente mentiu para o povo e para si mesmo, acredito. Viveu uma mentira criada por ele e por seus asseclas que tinham sede de poder e por esse poder corromperam totalmente as instituições colocando em cheque a própria identidade do país. Roubaram o país escancaradamente e se ocultaram sob o domínio da falsa moral como covardes.

-Mas como pôde ceder aos interesses minoritários daquele índio venezuelano que escancarava seu plano indecente de solapar nossa soberania e dos países da América Latina?

-Pois é, você ainda é uma criança e já entende o que muitos não conseguiram ver.

-Que absurdo! E daí vô, o que aconteceu de verdade?

-Foi muito duro viver naquele momento. Confesso a você que pretendi sair do país por ver tanta podridão, tanta impunidade, tanta demonstração de soberba e injustiças cometidas contra o Brasil e contra a sociedade brasileira. Senti no peito uma dor profunda, vendo meu orgulho de ser brasileiro morrer aos poucos. Nossa família sofreu muito enquanto experimentava o terror pela falta de rumo, pela falta de opções e pela incompreensão gerada na inversão dos valores que nos fora atribuídos pela nossa antiga educação. Quem era justo e honrado passou a ser humilhado pelos desonestos e amorais. Tudo foi colocado em cheque. Nada mais tinha valor e as pessoas sofriam de angústias, medos e depressões. O povo estava totalmente insatisfeito com o que havia construído.

-E como conseguiram passar por tudo isso?

-Com união e perseverança. Em nossa casa, a fé em Deus e a crença no Plano de Felicidade oferecido por Jesus nos pautavam. Sabíamos que abrindo mão de nossos desejos materiais, poderíamos experimentar um pouco mais de alegria e paz. Quanto menos queríamos, mais podíamos nos satisfazer ao contrário de muitos que já não sabiam nem mais o que querer.

-E o Brasil, como fez para se defender do plano de Lula?

-O povo se ergueu, cansara definitivamente de mentiras e tirando-o da política de uma vez por todas, deu oportunidades às novas idéias e, novos líderes que tinham ideais simples e calcados na moral e na responsabilidade surgiram e foram convidados a trabalhar para o povo e pelo povo. Aos poucos perceberam que a educação e a capacitação profissional dos brasileiros seriam as armas necessárias para trazer a tão sonhada alegria de viver. O respeito pela família e pelos valores morais foi restabelecido.

-E na política vô, o que aconteceu?

- A ordem e a justiça foram resgatados no Congresso Nacional, pois todos os deputados que participaram de forma vil daquela podridão política, foram banidos também das urnas não recebendo nenhum voto sequer. A população toda já sabia quem eram eles e o silêncio se fez presente na hora do voto.

-E o Lula, o que fez?

-Nada, meu neto, não fez nada. A única coisa que conseguiu fazer foi roubar o sonho de uma nação e fazer parte da história do Brasil que ninguém mais quer lembrar.

criado por giordanocarlos    13:18 — Arquivado em: Crônicas

15.5.06

Viagem grátis

Viagem grátis

Carlos Giordano Jr.

Em meio a tanta confusão que sou obrigado a ouvir e ver pelos meios de terror-comunicação, pensei em dar uma voltinha rapidinha pelo lado bom da minha memória. Quer ir comigo? É grátis, rápido e seguramente muito prazeroso.

Segure minha mão, solte sua imaginação e vamos nessa.

Cedinho vamos tomar um bom café mineiro lá na pousada das Escarpas do Lago às margens da represa de Furnas, que fica do ladinho da Serra da Canastra em Piunhí - MG.

- Vamos sentar aqui na sacada e experimentarmos aquele pão de queijo que acabou de sair. Passa você um requeijão cremoso e prove o cafezinho delicioso. Enquanto isso, dá uma olhada na paisagem lá embaixo.

Que amanhecer maravilhoso, o lago até parece um mar de águas mansas onde repousa uma densa neblina prenunciando um dia de calor. Escute o sabiá laranjeira e o tico-tico com seu canto choroso nos acariciando os ouvidos. Ô trem bão sô.

Levanta vôo que estamos saindo. Vou te mostrar a cachoeira da escadinha na Chapada dos Veadeiros pertinho de Brasília. Vamos que ainda dá tempo… Nem gastamos três minutos ainda do nosso tempo.

Dá uma olhada lá embaixo. Ta vendo as várias quedas? Pois é por conta disso que leva esse nome.

Um dia passei aqui com Carlão, e paramos a caminhonete naquela sombra ali, pertinho do boteco e descemos para nos refrescarmos do insuportável calor daquela tarde. Quando chegamos na primeira queda, olhamos lá para baixo e deparamos com VIRGENS nuas que se refrescavam nas águas cristalinas e geladas do regato. Que emoção e quanta risada demos daquilo que parecia ser impossível acontecer. Fomos até bem pertinho delas e sem saber o que dizer, exclamei:

- Vocês vêm sempre aqui? Carlão se afogou de tanto rir.

Segure-se em mim, que vamos alçar vôo até a Cachoeira da Velha no coração do Jalapão. Olhe só que loucura, dá uma olhada na cor da água. Aqui foi gravado o filme Deus é brasileiro com o Antonio Fagundes. Vamos dar um mergulho. Se quiser tire a roupa e se sinta à vontade. Ninguém vai ligar. Alias, aqui nunca tem ninguém, por isso acho que Deus deve estar descansando por aqui.

Levanta a cabeça e veja as dunas vermelhas ainda aqui no Jalapão, lugar incrível que nunca esqueço, pois parece Su-real. Sinta o vento, sinta o calor, sinta a presença do Criador.

Vamos, vamos…. Vou te levar ali pertinho. Tá vendo aquelas dunas e lagunas? Ali estão os Lençóis Maranhenses. Vamos dar uma rasante por ali e sentir a sensação absurda de liberdade. Liberdade de pensamento. Liberdade de expressão. Liberdade de poder sentir a natureza como ela é.

- Olhe as unhas daquele cachorro!!! Que incrível. Por não terem onde serem gastas em tanta areia, crescem tanto que acabam se enrolando em torno das patas.

- Pausa para uma água de côco. Natural. Trouxe a faca? Não faz mal, vai buscar na gaveta da cozinha, afinal estamos viajando dentro da minha memória mesmo…

- Vou abrir uns quatro ou cinco e jogar na sua cabeça. Tomar banho de água de côco…Isso seu cartão não pode comprar.

Venha agora, que deu fome. Vou te levar na Maria Nilza no Guaiú em Santo Antonio, do lado de Santa Cruz Cabrália na Bahia. Olha só essa praia… Já viu coisa igual?

- Oi Maria Nilza, te apresento um viajante da minha memória.

- Que bom, seja bem vindo e que bom rever você uma vez mais por aqui.

- Pois é, vim para almoçar aqui com o pé na areia de novo, debaixo desses coqueiros.

- E já sei o que vai querer… Um risoto de polvo especial.

- O de sempre baiana porreta. Risoto de polvo recheado de sorriso, como sempre.

Sinta a brisa na face, relaxe seus olhos no azul infinito que se mescla entre céu e mar e prove dessa sombra do coqueiro deitado na rede, enquanto o perfume do fogão a lenha da Maria Nilza nos provoca o apetite.

-Curtiu, gostou, ficou com vontade de ficar? Então vamos que vou te levar para conhecer a Chapada Diamantina ali no Oeste baiano. Mas vamos passar só por cima, senão vou ter que parar para dormir em Mucugê, pois deixei ali num outro dia, o meu desejo de voltar para sempre. Espia só a Cachoeira da Fumaça e vamos embora.

Vou levar você na casa do Seu João do Camarão lá em Bom Jesus da Lapa nas margens do velho Chico. Seu João vai buscar camarão e mariscos em Salvador, encara quase 900 km de ida em ônibus pau de arara para encontrar o produto do seu comércio e volta feliz. Homem bom, um dia me recebeu em sua casa, colocando sua esposa para cozinhar uma moqueca baiana com caruru, acompanhada de camarões fritos no dendê, arroz com leite de côco e farofinha de leite cujo gosto ainda está na minha boca. Não cobrou nada não. Tirou da sua simplicidade, a alegria de receber com orgulho um paulista em sua casa. Me emocionei muito, jurei mudar meu conceito de vida. Vou deixar uma cachaça de Piracicaba pro Seu João, dar um abraço nele e vamos nos abençoar na gruta do Senhor Bom Jesus da Lapa, pedindo a Ele um pouco de paz e justiça para o nosso país.

Jantamos uma costela de Tambaqui e caldinho de piranha no Restaurante Caravela do Madeira em Porto Velho, tomamos umas cerpinhas ao som de Ziza cantando Elis Regina tendo como acompanhamento um formoso piano de cauda.

Obrigado pela sua companhia. Foi legal.

Outro dia te levo mais longe.

Basta querer. Se não quiser, ligue a TV que é mais legal.

criado por giordanocarlos    18:42 — Arquivado em: Crônicas

14.5.06

Hoje não é o dia da minha mãe

Hoje não é o dia da minha mãe

Carlos Giordano Jr.

Em 1905 Ana, filha de pastores, perdeu sua mãe e entrou em grande depressão. Preocupadas com aquele sofrimento, algumas amigas tiveram a idéia de perpetuar a memória de sua mãe com uma festa. Ana quis que a festa fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas, com um dia em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães. A idéia era fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais.

Durante três anos seguidos, Anna lutou para que fosse criado o Dia das Mães. A primeira celebração oficial aconteceu somente em 26 de abril de 1910, quando o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock, incorporou o Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas daquele estado. Rapidamente, outros estados norte-americanos aderiram à comemoração. Finalmente, em 1914, o então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-1921), unificou a celebração em todos os estados, estabelecendo que o Dia Nacional das Mães deveria ser comemorado sempre no segundo domingo de maio. A sugestão foi da própria Anna Jarvis. Em breve tempo, mais de 40 países adotaram a data.

O primeiro Dia das Mães brasileiro foi promovido pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, no dia 12 de maio de 1918. Em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou a data no segundo domingo de maio. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que essa data fizesse parte também no calendário oficial da Igreja Católica.

Minha mãe nasceu também em 1932, e com sacrifícios transformou-se numa árvore de felicidade, que enraizou-se em solo de moral e justiça. Lutou como poucas pela alegria de seus filhos, transformando-os em homens alegres e justos também.

Hoje não vai ser dia dela. Me recuso.

Todos os dias de minha vida serão dedicados à ela. Pelo que ela é…meu Porto Seguro.

criado por giordanocarlos    11:51 — Arquivado em: Crônicas

12.5.06

Eu amo Cebiche

Eu amo Cebiche

Carlos Giordano Jr.

Chegando em Lima, o desejo de correr para uma cebicheria é algo que não consigo controlar. Fico desejando sentir aquele sabor ácido e levemente adocicado do pescado curtido no limão.

O Cebiche, dizem ter a história baseada em marinheiros ingleses que chegando no Peru se fartaram com a quantidade de pescados, e que por falta de ingredientes os curtiam no limão e os comiam crus, chamando-os de SEA BEACH. Outros dizem que a origem vem da Arábia onde sibech significa comida ácida. Acho que não tem muito a ver a segunda versão, pois de Árabe o Peru não tem nada.

A comida peruana é de fortes raízes incas, incrivelmente decorativa e irresistivelmente saborosa, a comida "creolla" é de tirar bons suspiros de quem a prova. Existem influências chinesas por força da grande imigração ocorrida nos últimos 50 anos.

Em Lima existe a Calle Capón, local denominado de “barrio chino” onde a “chifa” (comida chinesa) é o prato do dia. Por todos os lados onde se ande em Lima se encontrará uma “Chifa”, ou restaurante chinês, onde invariavelmente se serve o melhor “pollo” do mundo. Eu particularmente acho horrível. Mas todos saem de suas casas para comer o tal pollo (frango) ou um especial “tacu-tacu”, uma mistura de arroz com feijão fritos com azeite e desinformados no prato com uma espécie de hambúrguer por cima, isso tudo servido nos melhores restaurantes de Lima.

É tradicional no Peru acompanhar sua comida com muita “chicha morada”, um suco de milho roxo de gosto tênue, leve e muito doce.

O Peru é o maior produtor de pescados do mundo. Banhado em toda costeira pelo Pacífico lodoso, encontra em suas turvas águas a maior quantidade de plânctons e fito planctons capazes de alimentar uma cadeia de peixes, que faz inveja ao Japão que é considerado o segundo maior produtor de peixes do mundo. Existem muitas variedades que não conheço por aqui. O mais comum é encontrar um tal “pejerey”, que parece uma pescadinha branca servida frita nas barracas na beira do mar, ao lado, infelizmente de muita sujeira. Curto muito estar ali e me refrescar com um “pisco sauer”, bebida feita com Pisco, clara em neve, limão e uma pitada de canela em pó. É a bebida oficial do Peru.

Mas o tal cebiche é de deixar qualquer um apaixonado. É considerado como patrimônio cultural do País, e para ocupar esse lugar de destaque, os “ayuntamentos” (prefeituras) certificam os melhores restaurantes com um selo de qualidade onde se diz: Aquí se come o melhor cebiche. E aí se pode confiar.

O cebiche:

Se prepara com um limão chamado “ceuti” que infelizmente não o temos por aquí e é inconfundível por sua acidez característica. Esse limão é que vai cozinhar o pescado, juntamente com alguns tantos mariscos por vinte minutos antes de ser servido com muito “ají” espécie de pimenta dedo de moça, que também não encontramos nos nossos mercados infelizmente, cebola roxinha em fatias finíssimas, “choclo” (milho com grãos enormes cozidos em água e sal), pedaços de “camote”, que é uma espécie de batata doce com cor de abóbora cozida em água, caldo de limão ceuti, e “culantro” conhecido no Brasil como coentro.

Não posso deixar de dizer que o fato de se comer o pescado cru, curtido no limão ou no suco de “naranjitas” que são como pequenas laranjas de suco bem ácido, é em função de não existir no antigo Peru, lenha para cozinhar, pois a costa peruana é caracterizada por região árida, desértica, onde árvores são vistas somente em miragens. O cebiche é tido como prato principal por excelência e por seu sabor refletir a própria identidade peruana.

O pescado simboliza a grandeza de nossas águas.

O limão a força de nosso sangue.

A cebola, a melancolia.

O ají, nossa picardia.

O milho, a riqueza de nossa terra.

E o camote, a hospitalidade de nossos corações.

Existe uma música que é quase um hino e me emociono quando a ouço. Seu refrão é assim:

Yo me llamo Peru.

Con P de Patria

La E de ejemplo

La R de rifle

La U de la Unión.

Conheça o Peru, vá a Machu Pichu e Nasca, conheça o Museo de los Incas, compre uma Alpaca legítima bem baratinho em Miraflores, coma cebiche, tome uma chicha morada, experimente um Pisco Sauer e seja muito, mas muito feliz.

criado por giordanocarlos    23:27 — Arquivado em: Crônicas, Fogão de lenha

Minestra e Zuppa

Minestra e Zuppa

Carlos Giordano Jr.

Sabe-se que as sopas italianas não são nada comparadas a cremes ralos, batidos no liqüidificador ou cremes sem substâncias. A verdadeira sopa italiana alimenta muito bem o desejoso e prazeroso degustador da boa gastronomia.

Estudando um pouquinho da história da culinária mediterrânea, percebemos que as sopas de origens italianas são, verdadeiramente,  um carimbo da paisagem regional italiana, pois verificando a procedência dos ingredientes utilizados, e a distância dos locais de origem de sua produção, seguramente teremos subsídios para identificarmos a sua região. Portanto funcionam como guia, ou como mapa para turistas, pois identificando seus ingredientes descobriremos de que região originaram.

Por exemplo, o arroz, cultivado no Piemonte a Oeste da Lombardia, quando adicionado à sopa, identificará a região Norte da Itália. Mas, quando a sopa leva em seus ingredientes massa, tomate, alho e principalmente o azeite de oliva, que é produzido em larga escala no Mezzogiorno (Sul da Itália), por influência e proximidade da Grécia, onde sabe-se, teve origem o cultivo das oliveiras, então, estaremos identificando as raízes regionais do Sul da Península.

Existem dois tipos básicos: Minestra e Zuppa.

A MINESTRA é preparada com legumes, arroz ou massa. Agora, quando se adiciona feijões, grãos de bico ou lentilhas, então passará a se chamar MINESTRONE. A ZUPPA é elaborada normalmente com legumes também, porém, encorpa com carnes ou mesmo peixes, e invariavelmente é servida sempre calda (quente) sobre pães italianos ou torradas. Ainda, é comum se utilizar de bastante azeite de oliva por cima de um ovo, com gema bem mole, que é colocado no final, sobre a sopa já no prato.

Ao contrário da culinária Japonesa onde as sopas são servidas no final da refeição para “limpar” o organismo, na Itália são servidas antes do primo piatto (primeiro prato), e depois do aperitivo (antepasto), isso tudo para “abrir o apetite”. E por falar em apetite…

ZUPPA DI FRUTI DI MARE (sopa de frutos do mar)

Ingredientes (quatro pessoas) ½ xícara de azeite de oliva ½ xícara de cebola picada 1 colher de alho picado 2 colheres de salsa picada 2 xícaras de vinho branco seco 1 xícara de água ¾ xícara de tomates picados 1 polvo de cerca de 700g, limpo e cortado. 1 lagosta de cerca de ½ kg já limpa e cortada ao meio (opcional) – também não vamos exagerar… ou substitua a lagosta por ½ kg de camarão vermelho sem casca lavado e escorrido. 4 postas de pescado de 300 g cada. (pode ser dourada, olho de boi, pargo ou linguado, ou aquele que você gostar)

Preparo: Pegue uma panela grande que possa acomodar o peixe numa só camada. Deite o azeite de oliva e a cebola ao fogo médio para refogar. Junte o alho até dourar. Adicione a salsa picada, mexa e acrescente o vinho branco. Evapore o álcool do vinho em alguns 2 minutinhos e coloque os tomates picados. Deixe a panela destampada por 5 minutos no fogo médio (cuidado para não queimar). Junte o polvo e a lagosta, adicione pouco sal e pimenta do reino moída na hora. Tampe a panela e baixe o fogo. Quando estiverem cozidos e tenros, adicione o peixe e os camarões e deixe cozinhar por apenas 5 a 7 minutos. Sirva imediatamente. Cuidado para não desfazer o peixe ao servir.

ZUPPA FREDA (Sopa fria) - simplesmente adoro.

Ingredientes: 2 pepinos pequenos, sal a gosto, 3 xícaras de água gelada, 3 dentes de alho amassados, suco de 1 limão, pimenta do reino moída na hora, 1 colher (café) de páprica picante, 4 xícaras de iogurte salsinha picada bem fininha

Preparo: Descasque os pepinos, e corte-os em pedacinhos eliminando as sementes. Coloque numa tigela e salpique com sal. Junte a água e deixe de molho por 25 minutos. Escorra. Na sopeira em que será servida, ponha o pepino, o alho e o suco de limão e o iogurte. Apimentar a gosto e salpicar a páprica. Misture muito bem. Por último, decore com a salsinha um pouco mais de páprica. Pode servir que é gelada mesmo que se “mangia”.

-Auguri per tutta famiglia!!!

criado por giordanocarlos    10:50 — Arquivado em: Fogão de lenha

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