Na sombra de um coqueiro

Divirta-se com Causos, Crônicas, Poesias, Família, Fogão de lenha, No pé do coqueiro, Tocando a Tuba. (Vedada pelo autor a Criação de Obras Derivadas) Você não pode reproduzir, alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.

14.3.06

Hitler, anjo ou demônio.

Hitler, anjo ou demônio.

Carlos Giordano Jr.

Numa esfera mesclada de medo e resistência pela aproximação do comunismo, nasceu o Nacional Socialismo. Pelos idos de 1920, Adolf Hitler, imbuído de obscuras intenções, liderou o partido que teria seu nome abreviado para Nazi (de Nationalsozialistishe). Suas idéias prenunciavam uma catástrofe, porém exaltando a raça superior alemã, negava também os princípios humanos da democracia e enaltecia o fortalecimento do governo ditatorial, que se opunha fortemente às propostas comunistas que se aproximavam da aceitação popular.

Com o apoio dos comandos financeiros, fortaleceu-se calcado em posições radicais onde o governo forte dominaria o povo fraco e despido de ideologia contestadora. E, nesse patamar estava o povo judeu, que indistintamente seria considerado inimigo da raça ariana e, portanto exterminado.

Curioso é o fato de que naquela época, Hitler dominava o assunto de propaganda política como ninguém e com isso investiu todas as suas habilidades em dominar a informação pública, levando ao povo de forma magistral a sua própria verdade. E o povo acreditou.

Usando de propaganda política, dominou todos os conceitos populares, levando o povo a acreditar na sua loucura. Depois fartou-se em determinar o extermínio de todos aqueles que não cediam ao comando de sua voz. De forma vergonhosa e desonrada, fez com que o povo judeu se voltasse contra si mesmo, lutando por uma fração de alimento ou por um buraco escondido num sótão fétido de um gueto. Os que não morreram de fome ou de vergonha, morreram por acreditar terem sido escolhidos para trabalhar nos campos de lavoura. Famílias inteiras foram dizimadas já no trem rumo ao prometido trabalho. Seus bens foram saqueados afim de pagarem pela despesa das munições usadas nas suas próprias mortes. Seus corpos abusados e mutilados. O banho no chuveiro a gás dizimava suas esperanças contidas até o fim. O caos se instituiu, e o povo se calou.

Hitler foi acuado em 1945, como único responsável pela segunda guerra mundial, no seu bunker, na Berlim destruída sob o ataque impiedoso das tropas soviéticas. Após fingir um casamento com Eva Braun, sua amante e ler seu testamento para alguns que ainda o apoiavam, recolheu-se na sua covardia e vendo a morte da esposa pela ingestão de cianureto, acabou com sua vida com uma bala na cabeça.

Consta que seus corpos foram incinerados. Talvez tenha fugido como um covarde e sobrevivido na sua solidão por mais alguns anos como Bin Laden, tramando se vingar ainda de seu próprio destino.

Isso não importa.

O que importa é saber se em paralelo com o espaço-tempo, isso não se repete por aí todos os dias.

Alguém dominando e subjugando outro alguém. Usando da mídia para prometer dias melhores enquanto exercendo de sua covardia, vê seu irmão morrendo de fome, sem emprego, sem esperança e sem força para lutar. Exercendo de seus poderes alcançados pelo domínio sobre um povo inculto e pacato, fortalece cada vez mais suas idéias de despotismo dissimulado.

A diferença é que Hitler é um anjo, que enviado por Deus, e não pelo demônio, se responsabilizou sozinho por conseguir levar para junto do Pai, no paraíso celestial, milhões de almas sofredoras, que na pureza de suas vidas, alcançaram a piedade eterna respirando o gás letal.

E o outro, ainda teima em fazer sofrer aqui na terra, mutilando nossas esperanças, milhões de brasileiros que acreditaram nele.

criado por giordanocarlos    18:44 — Arquivado em: Crônicas

10.3.06

Médico para trabalhar em Brasília.

 

Especialista visita Brasília e promete curar todos os males do Planalto.

Convidei esse médico para visitar o Lula, quem sabe ele cura Cleptomania.

Mas já garantiu que não pode curar peso na consciência de quem não tem consciência.

Se alguém tem problemas que não estejam listados, procure outro médico. Afinal ninguém é perfeito.

criado por giordanocarlos    8:27 — Arquivado em: Tocando a Tuba

8.3.06

Homenagem à mulher

Dia Internacional da mulher - Carlos Giordano Jr.

 

Homenagem

Carinho e admiração

Gratidão

à

Maria, nossa mãe

Dona Mara, minha mãe

Vó Nena

À esposa Lucia

Marília e Nathalia, minhas alegrias

Madre Tereza

Às mães, tias e avós

Às que ainda não são ou não podem ser

E as

130 mulheres tecelãs que morreram em 1857

carbonizadas em Nova York

reinvidicando por melhores

condições

de

vida

dando origem ao

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 

 

 

 

criado por giordanocarlos    10:41 — Arquivado em: Crônicas

4.3.06

Endurece, apodrece e cai

Endurece, apodrece e cai - Carlos Giordano Jr.

Na Serra da Canastra, tudo é magia.

Saindo de Divinópolis em Minas Gerais, encontramos caminhos verdadeiramente deliciosos rumo às diversas cachoeiras que ali estampam a paisagem e que na maior parte do ano têm suas águas a uma temperatura bem refrescante, convidando sempre a um mergulho.

Para quem gosta de aventura, um veículo com tração nas quatro rodas é a chave para um mundo inexplorado. Caminhos tortuosos, muito barro, rios e riachos para atravessar e caminhadas na mata são estímulos necessários para o encontro com a Natureza ainda intocada.

Dando a volta na Canastra pelo Chapadão da Babilônia, depois de muito tempo, chegamos à Casca D’Anta, quase em São José do Barreiro, com 86 metros de queda livre, a água chega a pulverizar-se com o vento oferecendo um maravilhoso visual. Mais alguns quilômetros e já dentro do Parque Nacional, encontramos a nascente do Rio São Francisco, antigo Opará, na linguagem indígena que significa Rio-Mar.

O Velho Chico, que levará em suas entranhas, histórias e lendas dos povos ribeirinhos rumo ao mar já nas Alagoas, rasga Minas em Três Marias, Pirapora e Januária, chegando a Bahia onde recebe as ofertas que lhe são lançadas em Bom Jesus da Lapa. Banha no seu vale em Petrolina e Juazeiro pomares carregados de uvas e mangas trazendo riquezas para a população e finalmente despeja nas águas salgadas do mar toda sua epopéia.

Pude estar por ali algumas vezes com a família e com grandes amigos.

Acampamos e fizemos comida com fogo de chão. Curtimos tudo o que podíamos, até mesmo o desespero de perdermos os filhos emaranhados na mata por alguns minutos.

Mas o causo que quero contar é outro.

Numa manhã em companhia do Carlinhos e do André, partimos para mais uma cachoeira perto de Piunhí, depois de São Roque de Minas, do outro lado da Canastra. Depois do café reforçado na pousada, no meio da trilha, bateu aquela vontade louca de poluir o ambiente. E não fiquei só. Cada qual escolheu a sua moita e mandou ver no mato. Fazer o que?

Continuamos a caminhada, e fui surpreendido com uma insuportável coceira na cabeça de baixo, naquela que muito respeito e admiro. Mas coçava demais… Parei para verificar o estrago e ali estava… Duas enormes picadas de muriçoca que me pegaram atrás da moita, bem na ponta do poderoso.

Sou alérgico a muriçocas.

Chamei Carlinhos pra ver o estrago e ele caiu na gargalhada não se importando com a minha dor. Aquilo me incomodou o dia todo.

À noitinha, já na pousada liguei pra casa, com uma dificuldade de sinal no celular e contei pra minha esposa, que aguardava ansiosa pela nossa volta.

- Você não acredita o que me aconteceu….

- Ai meu Deus, o que foi agora?

- Estou com algo que não parece meu, queria te mostrar.

- Conte o que foi?

- Muriçoca, cê não vai acreditar.

- Onde?

- Na pistola.

- E agora?

- Tá linda.

- Como assim?

- Agora tá enorme, dura e roxa, pena que é capaz de apodrecer e cair.

E caiu. Mas caiu foi só a ligação.

Coitada.

criado por giordanocarlos    21:56 — Arquivado em: Causos

3.3.06

Escolando…

Escolando…Abrindo os olhos  -  Carlos Giordano Jr.

Na minha escola, os horizontes eram coloridos, mas ainda desconhecidos se apresentavam à mim por amor e vontade de pessoas maravilhosas que se intitulavam professores. Aos poucos iam nos cativando com sua dedicação no convívio diário. Eram responsáveis na sua função. Aceitavam a idéia de que com muito esforço e dedicação a recompensa viria, qual seja a de, delineando nosso futuro, estariam assegurando ao mundo uma forte promessa de melhoria de vida.

Dona Arlete, Dona Terezinha Kraide, Dona Maria Bononi, Dona Dorairtes Vitti e Dona Lourdes Bonilha foram minhas ilustres professoras no início de minha jornada acadêmica. Me presentearam, e a elas sou eternamente grato, com a chave do Mundo. Me ensinaram as letras e os números. Sem isso, hoje não conseguiria sequer respirar. Estaria vegetando na ignorância, implodido na incapacidade de expressar qualquer opinião a cerca do mais imbecil assunto. Seria pobre, como é pobre o nosso rico e analfabeto País, que teve um dia, seus valores culturais contestados pela hipocrisia política daqueles que, com certeza, não se doaram ao interesse comum, pois não tiveram oportunidade de sequer aprender a ler e a escrever. Fizeram circo, distribuíram pão, desarticularam o sistema educacional, ocultaram o Sol, e se dissimularam sob a égide obscura do voto cego e podre.

Isso tudo só fortaleceu-me em desejo e esperança, pois estava nascendo em mim o impulso pela consciência crítica pura, despida de maldade, infantil ainda, mas soberana na razão. Não queria contestar, buscava somente o entendimento das coisas.

- Esse menino pergunta demais! Dizia Dna. Doraírtes.

- Como vou entender, se não perguntar?

- Tudo tem seu tempo. Tenha paciência. Ensinava…

criado por giordanocarlos    20:23 — Arquivado em: Crônicas

Parque Infantil

Parque Infantil de Piracicaba - Carlos Giordano Jr.

No “Parque Infantil de Piracicaba”, lá pelos idos de 1967,  tudo era maravilhoso. Situado lá na Rua Tiradentes perto da obra inacabada do Hotel Beira Rio, era frequentado por crianças de todos os tipos que além de aprenderem bons costumes, aguardavam a volta de seus pais do trabalho. Alí havia muito respeito para com as professoras. Aprendíamos brincando. Comíamos Jataí com gosto e cheiro de chulé às sombras das centenárias Jatobás e Jequitibás. Corríamos do Seu Vicente, o jardineiro, e esperávamos ansiosos Dona Amélia nos trazer ovinhos de lagartixa para comer (na verdade eram amendoim japonês).

Havia muito espaço. Um corredor de hibiscos nos permitia brincarmos de narizinho com o miolo de sua graciosa flor. Caçávamos aranhas com linha e chicletes. Promovíamos brigas de saúvas, jogávamos fubeca, e a regra não permitia dar “ganso” para alcançar o “bile”.

A hora do lanche era esperada com certa ansiedade, pois serviam-nos pão com manteiga e leite em pó com chocolate da Merenda Escolar. Que delícia, ficávamos horas no banheiro, com diarréia. Não tinha privada para tanto. Era muito legal.

Dona Adele era a diretora, Dona Antonieta, Dona Tutu, Dona Edenice, entre outras com muita maestria nos ensaiavam para a grande quadrilha na Festa de São João. Como era gostosa a expectativa para a escolha do par. Impressionante como todas me queiram. Não sei se me confundiam com Robert Redford ou Nhô Quin.

Eu tinha uma botinha, que vinha com um escrito no cano: “Xerife”, ela me acompanhou muitos anos nessas festas. Meu pé nunca cresceu, ela quase o atrofiou.

Com o tempo virei “lobinho” no Grupo de Escoteiros Tamandaré, fiz juramento, aprendi muitas coisas que me serviriam mais tarde, como fazer fogo com dois pauzinhos , tapar goteira na barraca com chicletes, ficar sem dormir de medo de aranha e até cozinhar arroz com massa de tomate. Foi bom, quase virei escoteiro. Só não topei porque o lema era ficar “sempre alerta”, mas ninguém sabia porque. Se alguém ia chegar sem avisar para almoçar, ou se ia embora sem pagar.

Enfim, tudo passa deixando na pele o cheiro forte do suor que emana da vida, do movimento de ter vivido, de ter passado por ali, naquele momento, e sentido o prazer de poder senti-lo.

criado por giordanocarlos    13:46 — Arquivado em: Crônicas

2.3.06

Comendo a cadelinha

Comendo a cadelinha - Carlos Giordano Jr.

Na subida da Bernardino de Campos, la no bairro Alto é que eu comecei a enxergar o mundo do lado de fora da “famiglia”. Primeiro pela vidraça do quarto de minha mãe, que dava pra rua, onde eu e meu irmão ficávamos ansiosos aguardando Zelão, o louco, que babava, e que subia a enorme ladeira dizendo coisas que só ele conseguia entender, mexendo com as pessoas, fazendo barulho e batendo nas janelas. Eu acho que ele comia criancinhas. Puta medão! Depois, por outro ângulo, pelo quintal, onde brincávamos alegremente, sem perigos estranhos.

Tínhamos o “Aga”, um capa preta legítimo, pastor alemão, que freqüentara aulas de adestramento de cães, e então aprendera a fazer de tudo, até quando meu pai tivera perdida a lista com todos os comandos de voz que o cão fôra treinado a obedecer. Como o animal não tinha o conhecimento da língua portuguesa, Aga ficou sem serventia, só criava pulgas e comia galinhas. É, tinha galos, galinhas e pintinhos no nosso quintal. Minha mãe criava. Eu brincava. Meu pai matava. Nós todos comíamos, principalmente o cachorro.

Um dia ele mudou o cardápio e virou o herói do quarteirão.

Tenente Benedito, meu finado avô, vinha caminhando tranqüilamente, perto do bar do Branco, lá embaixo, no pé do morro, junto de sua cadelinha de estimação, quando fôra surpreendido subitamente por um tremendo cachorrão preto, com o voraz desejo de comer-lhe a cadela, e talvez, mesmo apesar de velho, ele também. Foi quando começou a gritaria, da cadela, do meu vô, e da moçadinha da rua, que devia estar dizendo:

- Pega, mata e come!

Meu pai, que segurava o Aga em frente da casa, soltou-o …

- Pega, Aga, Pega!

O cachorro preto virou sabão, o Aga herói da rua, a cadelinha debutou na redondeza, virou mocinha, e meu avô teve que mudar de ceroulas.

Tenente aposentou-se como primeiro sargento no Exército em Itú. Ganhava aquele tanto, guardava metade. Tinha dinheiro. Minha avó, “Dor Lena”, reclamava da miséria, fazia bolo de fubá com erva doce todo sábado à tarde, com intenção de reunir a família em torno da mesa.

criado por giordanocarlos    9:46 — Arquivado em: Causos

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