Na sombra de um coqueiro

Divirta-se com Causos, Crônicas, Poesias, Família, Fogão de lenha, No pé do coqueiro, Tocando a Tuba. (Vedada pelo autor a Criação de Obras Derivadas) Você não pode reproduzir, alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.

11.2.06

PUXANDO À MEMÓRIA

PUXANDO À MEMÓRIA: Carlos Giordano Jr.

Assim que tive altura para alcançar a maçaneta da porta, minha mãe me deu uma cópia da chave da porta da nossa casa. Fiquei dono do pedaço. Vivia trancado dentro de casa. Tinham inventado a televisão, pelo menos pra mim. Não sei se já tinha o Roberto global, na tela branco e preto da nossa televisão, mas era legal. Ficava fora do ar por alguns instantes o dia todo.

Assistia Nacional Kid, aquele do japonês que tinha uma antena na cabeça, lutava contra os Incas Venusianos, e tinha duas pistolas de raio na cinta e uma capa rasgada ao meio amarrada no pescoço.

Os Três Patetas, de Moe, Larry e Joe. Comédia engraçadíssima de pastelão, na qual Moe era o mandão, ruim e malvado, Larry, o careca e Joe que fôra substituído várias vezes durante o seriado ao longo dos anos.

O Gordo e o Magro, de Stanley Laurel e Oliver Hard. Durante anos assisti este seriado ainda na versão, “cinema mudo”, mas com legenda. Era tão hilariante, que me fazia sentir um incontinente urinário.

Perdidos no Espaço, da família Robson, dentro do disco voador. Dr. Zachary Smith, meio afrescalhado, sacana, dono do robô, vivia de maracutaia, só se danava. Tinha o Will Robson, a Penny, e a Jud que namorava o co-piloto Don.

Super-Homem. Clark Kent disfarçado de repórter do Jornal Planeta Diário, matutino da cidade de Metrópolis, vindo do planeta Krypton, enviado por se pai Jor-el, arque-inimigo de Lex Luthor, que andava com Kryptonita, uma pedra verde que tirava os super-poderes de Clark. E ainda, que ele se trocava normalmente nas cabines telefônicas e saia voando para fugir de sua pretensa namorada Louis Lane, repórter do mesmo Jornal, que nunca desconfiou de nada.

Zorro, de Don Diego de La Vêga, do cavalo preto chamado Tornado que empinava no alto da colina, brigava de capa e espada, e vivia fugindo do Sargento Garcia, o gordo. Zorro tinha um belo bigodinho e um criado mudo (um serviçal que não falava) chamado Bernardo.

Rin-tin-tin, aquele parente do meu cachorro Aga, que vivia com um molequinho chato, o cabo Rusty, que era o herói do sertão americano. Depois apareceu Ultra-man, com o Aiala da caneta mágica que falava: - E, lembre-se Aiala, quando você estiver em perigo, ative a cápsula e você se transformará no UUUUltra Maaaaan!

O Túnel do Tempo e Terra de Gigantes eram seriados que nos faziam viajar para dentro da tela da TV, num sonho gostoso e inocente.

Viagem ao fundo do mar, do U.S.S. Sea-view, um tremendo submarino nuclear americano, que tinha o Sub-voador para auxiliá-lo nas missões em terra. Era chefiado pelo competente Richard Basehart como Almirante Nelson e David Hadson como Capitão Lee, assessorados pelos experientes marinheiros Tenente Chip, Chefe Charkey e o marujo Kowalsky.

 Daniel Boone, desbravador norte-americano do selvagem Kentucky, casado com Rebecca Boone, cujo filho era um lindo menino chamado Israel. Seus parceiros nas aventuras eram: Jeremias e o índio Cherokee Mingo, dono de um enorme chicote. A dificuldade de Daniel sempre foi a de carregar sua espingarda pela boca na hora do ataque dos índios apaches.

 James West, estrelado por David Conrad, parceiro de Artemus Gordon. Moravam num decorado vagão de trem, que viajava por todo Oeste americano. Eles eram agentes secretos do Governo dos Estados Unidos. James era perito em esconder armas nas suas roupas e Artemus era mestre nos disfarces e só chegava para ajudar o parceiro no fim do filme.

 Batman, o milionário Bruce Wayne, destemido Homem-morcêgo, protetor dos fracos e oprimidos cidadãos de Gothan City, cujo chefe de polícia era o Comissário Gordon, auxiliado pelo Sargento O’hara. Seu parceiro o gay e valente Robin, das famosas frases:- Santa charada, Batman;- Santa cilada, Batman;- Santa besteira, Batman! - Vai te catar Robin, tira esse calçãozinho de bicha e vai trabalhar de estivador em Santos! (essa frase nunca foi ao ar). Batman era o legítimo proprietário do Bat-móvel, maior carrão que soltava fogo pelo rabo e servia para auxiliá-los no combate aos incansáveis Charada, Coringa, Pingüim e à linda Mulher-gato. Na Bat-caverna, seu esconderijo secreto situado debaixo de seu escritório, ele podia contar sempre com o apoio de seu mordomo Alfred.

Jornada nas Estrelas, U.S.S.Inter Price, nave inter-galáxica que riscava a Via Láctea na velocidade espacial de dobra 8, era pilotada pelo excepcional Almirante James T. Kirck, tendo como auxiliares Sr. Spock, o orelhudo Vulcano, Dr. Mac’Coy, Sr Scoth, tenente Ogura e o navegador da ponte de comando Sr. Sulo, o japonês.

A Feiticeira, Elisabeth Montgomery como Samantha dona do nariz mágico, mãe da Tábata, e depois do Adam, casada com o trapalhão James ou Jonathan Stevens que trabalhava com o Larry Tate, na agência de publicidades Mac’Mann & Tate. Sua mãe era terrível, chamava-se Endôra, e detestava o James por ele ser um pobre mortal. Sua irmã, a Serena, tinha verdadeira adoração pelo cunhado, sempre o transformava em sapo. Tinha ainda a Tia Clara, a babá que só se metia em encrencas. E, quando as bruxas ficavam doentes, se consultavam com o único e famoso Dr. Bambey, que sempre estava de férias em algum lugar paradisíaco do mundo. Tem mais, sua vizinha, a abelhuda e desconfiada Dona Gladys Clawets e seu descrente marido Abner.

Jeannie é um gênio, que morava dentro da garrafa mágica que fôra achada numa praia em Malibú pelo seu amo Major Antony Nelson, estrelado por Larry Hagmann, astronauta da NASA, tremendo trapalhão, que nunca sucumbiu aos assédios charmosíssimos de Jeannie, loira maravilhosa, estrelada por Barbara Eden. Era amigo inseparável do Major Hilley. Eram vigiados de perto pelo Dr. Bellows, casado com Amanda Bellows, que entregava tudo o que via para o General Petterson que nunca acreditou em nada.

Agente 86, de Maxwel Smart, namorado da agente 99, trabalhava para o Contrôle, grande agência de espionagem inimiga mortal da Kaos. Comédia muito boa, na qual Max fazia um papel de agente secreto, em cujo sapato se ocultava um telefone. E, quando se exigia sigilo absoluto, ele solicitava o uso do famoso Cone do Silêncio para falar com o Chefe. Seu parceiro era o agente 46 que sempre se escondia em gavetas de arquivos e caixas de correio.

Kung Fu, do americano disfarçado de chinês Quae Chang Kaine, lançado em Outubro de 1972, esta série fez muito sucesso em horário nobre da TV, interpretado por David Carradine, que tomou o lugar do imortal Bruce Lee, ator cuja história nas artes marciais, motivara a criação desta divertida série (depois, Bruce acabou morrendo de nostalgia por ter perdido o papel). Quae Chang era conhecido como gafanhoto, e seus ensinamentos marciais lhe foram dados por um monge Chaoling. Obrigado a vagar pelo Velho Oeste americano a procura de seu verdadeiro pai, sempre terminava usando suas lutas para se livrar das enrascadas em que se metia, dando sempre ao final do capítulo uma lição de moral.

Os Flintstones - desenho animado de Fred e Vilma Flintstones, amigos do casal Barney e Beth Ruble, pais de Pedrita que depois iria namorar o Bam-bam, filho de Barney. Ainda tinham o Dino, que adorava um delicioso osso de Brontossauro. Fred trabalhava numa pedreira na cidade de Bedrock, cujo dono era o Sr. Pedregulho.

Os Jetsons e Pernalonga eram desenhos animados super divertidos, puros e inocentes que só faziam alegrar a criançada.

A televisão era muito legal.

A Xuxa ainda não tinha nascido.

Senor Abravanel, o Silvio, não pensava em comprar um a rede de televisão para estragar Domingos. Vendia muamba na 25 de Março. Depois, mudou de nome, inventou o carnê da felicidade e se deu muito bem. Mas tudo era festa, tudo era alegria, tinha sabor de macarronada. Tomava ovo quente toda manhã para ficar forte, ser inteligente e ter boa memória.

criado por giordanocarlos    16:34 — Arquivado em: Crônicas

10.2.06

BARRANQUEANDO A BEZERRA

Barranqueando a bezerra: Carlos Giordano Jr.

Na sua casa ali na beira do rio, ele foi contando…

-Lembra do Antenor Fulano?

O causo é que o tal Antenor, filho de um funcionário da Sucrerie, a Companhia Francesa proprietária do velho Engenho Central de Piracicaba, gostava de fazer suas farras junto com a turma do Tiro de Guerra.

No auge de seus vigorosos dezoito anos, Antenor e os amigos saiam para paquerar as meninas da já conhecida e encantadora Rua do Porto. De papo em papo, tomavam umas e outras e logo começavam a fazer algazarra, o que acabava incomodando os moradores ribeirinhos.

- Ô Zé! Ocê num viu seu fio ontem ali na cocheira?

- Vi não. Revoltado com a pergunta, negava se defendendo o velho funcionário.

Revoltado porque naquela época, era comum a turma da pesada, passar o final da noite barranqueando as bezerras da cocheira do Engenho do outro lado do Rio. E seu filho era um deles. Sempre negando e contrariando debaixo dos tapas na cabeça, os ensinamentos do pai.

À noitinha, a turma esperava a bezerrada se amansar e amarrava então suas patas com o cinto do Tiro de Guerra que era ótimo pra isso, segundo consta, pois tinha vários furos onde se podia travar a fivela. Feito isso, mandavam ver nas coitadas. Uma verdadeira festa.

Para piorar, às vezes, passava por lá o próprio, aquele, o tal funcionário encarregado justamente do trato dos animais, pai de Antenor. Saía no grito com a molecada, prometendo mandar bala de cartucheira pra espantar aqueles verdadeiros demônios. Seu medo era um só… Um dia, ter a certeza de encontrar o Antenor por ali.

Dito e feito.

Numa noite de calor, a lua riscava o remanso do rio, oferecendo uma iluminação além do normal. Seu Zé ficou na espreita, alongado no mato, engatilhado, só esperando. A molecada chegou fazendo arruaça e logo laçando as patas das bezerras com o tal cinturão. Calça pra baixo, tiro pra cima e pernas pra que te quero… Maior correria.

No dia seguinte, Seu Zé limpando o curral, encontrou nada mais nada menos do que o tal cinto enlameado no meio do estrume. Que sorte. O sargento foi avisado e…

- Vista fina no soldado sem cinto! É o que sugeriu o Capitão.

-Agora pegamos o malvado. Resmungava o fiel funcionário.

Na fila indiana, na hora da vistoria da tropa…

- Nenhum cinto faltando, Capitão. Bradou o sargento em alto e bom som.

A turma passou mais de um mês alternando e emprestando o cinto daquele que obrigatoriamente deveria faltar para não entregar o colega. E o Antenor, dono do cinto, nunca foi pego.

 

Abraço pro amigo Orlando Louvadini, grande cozinheiro e contador de causos.

criado por giordanocarlos    20:50 — Arquivado em: Causos

9.2.06

Eu te amo

Aquarela de Zelinda Jordão

Texto de Carlos Giordano Jr.                                                       Fevereiro 2006

 

- Eu te amo!

- Mas eu nem te conheço…

- Mesmo assim.

- Mesmo assim o que?

- Te amo.

- Por quê?

- Porque você é única. Por isso.

- Sei, sei…

- Sempre te amei, muito antes de você nascer.

- Você é louco?

- Não.

- Que você esta querendo então?

- Queria muito que ficasse comigo.

- Ah, então é isso?

- É.

- Num to muito afim, não.

- Eu sei.

- Por isso vim até você.

- Qual que é hein?

- Queria fazer você a mais feliz do mundo.

- E porque você acha que consegue?

- Porque eu te amo.

- Sei.

- Não sabe não, por isso vim te dizer.

- Eu não sou aquela que você está imaginando, viu?

- Eu sei quem é você.

- De onde então, você me conhece?

- Eu conheço todos como você.

- Num to entendendo nada. Desembucha.

- Estou do seu lado para fazer você feliz só com meu amor. Mas queria muito que você também me amasse assim como te amo. Simples.

- Você quer que eu te ame, sem te conhecer?

- Me dê uma oportunidade então, abra seu coração para eu entrar.

- Nunca amei ninguém.

- Pois é, eu sei.

- Sabe como?

- Eu sinto.

- Sente que eu nunca amei?

- É! Por isso eu vim aqui, para que saiba o que é o amor.

- E o que é então?

- O amor é a coisa mais linda que eu pude criar.

- Você criou o amor?

- Sim.

- Você é por acaso algum filósofo?

- Não, mas é verdade. Eu simplesmente inventei a forma mais pura do amor.

- Me mostre então. Duvido.

- Eu sei.

- Sabe o que?

- Que todos duvidam de mim.

- Ta vendo, acho que você é meio louco.

- Eu morreria por você, de tanto que te amo. Sabe o que significa isso?

- Não.

 - Que não poderia viver sem você. Daria meu coração para que pudesse viver. Assim uma parte de mim estaria viva em você.

- Ta pensando em se matar?

- Não.

- Não entendi nada.

- Te explico melhor. O amor é a forma mais sublime de manifestar seu carinho. Amar significa doar-se por inteiro. Esse amor, incontinente, te fará também amada. Isso lhe trará a felicidade. É o desejo de Deus para nós.

- E quem falou que eu não sou feliz?

- Eu sei. A maioria não é.

- Sabe nada. Sai pra lá… Tô com o saco cheio desse papo.

- Mas eu te amo.

- Vou chamar minha turma e você vai ver só, vão te dar porrada.

- Eu estou acostumado. Mesmo assim vou continuar te amando.

- Não acredito nesse cara!

- Só queria que me conhecesse um pouco.

- Tô fora.

- Eu vim pra te mostrar um mundo cheio de felicidade.

- Tô fora.

- Queria mostrar pra você o meu verdadeiro amor…

- Sai meu. Te taco uma pedra, hein…

- Quando você se arrepender, estarei pronto, sempre te esperando.

- Vem cá, eu te conheço?

- Meu nome é Jesus.

criado por giordanocarlos    15:43 — Arquivado em: Crônicas, Poesias

8.2.06

Sabores da Itália - Antipasti

Sabores da Itália - Antipasti: Carlos Giordano Júnior

Sabe-se que da antiga Itália, pátria-mãe de muitos filhos e netos de italianos que hoje vivem no Brasil, recebemos influências riquíssimas que compõem o nosso vasto cardápio.

O primeiro livro de culinária que se têm notícia, data do século I, d.C., em Roma compilado por um comensal chamado Apicius, identificando a riqueza de variedades de aromas e paladares que experimentavam a aristocracia da época. Os ricos, claro, possuíam uma quantidade satisfatória de escravos que para executarem as tarefas culinárias eram, de forma refinada, muito bem treinados. Porém se expunham às verdadeiras humilhações e até torturas na presença de convidados, caso as refeições não estivessem a contento dos patrões.

As possibilidades de combinações de ingredientes disponíveis já eram muitas, considerando que, quaisquer conhecimentos à cerca de valores nutricionais dos alimentos praticamente não existisse, expunham a população à sorte de enfermidades advindas da desnutrição causada pelo consumo inadequado de alimentos. No caso da polenta, que durante séculos foi o emblema do país, constituía o alimento base dos “polentoni”, como são chamados os Vênetos. Porquanto se variasse o tempero da polenta, prato pobre de sabor e de valores nutritivos, seu consumo exagerado no final do século XIX, expôs a população à “pelagra”, doença originada da desnutrição, causada pela falta de vitaminas, e caracterizada pela dermatite, diarréia e demência.

Mas, às cercanias de Nápoles, na Costa Oeste da Península Italiana à 190 Km de Roma, arqueólogos depararam com uma infinidade de ingredientes conservados pelas cinzas vulcânicas do Vesúvio, que devastaram as cidades de Pompéia, Herculano e Estábia em 79 d.C. , como pães, figos, lentilhas, cevada e até vinhos, demonstrando que a dieta alimentar dos italianos era provavelmente uma das mais ricas comparadas à do resto dos povos do Mediterrâneo. Porém, sabemos também, que produtos que hoje compõem a mesa farta italiana, vieram do Novo Mundo nos últimos 300 anos, se popularizando na Europa, como é o caso do tomate e de algumas variedades de feijão.

A Itália, hoje, é o maior produtor europeu de arroz, cultivado no Piemonte e oeste da Lombardia. No Mezzogiorno, (Sul da Itália) cultivam-se olivais e cítricos. Há vinhedos em todas as grandes regiões da Itália. As principais áreas vinícolas são Monti del Chianti, na Toscana; Asti, no Piemonte; Orvieto, na Úmbria; e Marsala, no oeste da Sicília.

Bem, mas realmente o que nos resta, como descendentes de italianos, é nos fortalecermos culturalmente nas tradições e costumes italianos, passando a nos revelarmos como povo de extrema diversidade e cultura gastronômica. Para isso, não desprezemos o fato de que toda refeição formal italiana, é então, iniciada pelo “antipasto”, seguida por uma “minestra” (sopa), um “piatto di pasta” e por fim um prato principal como “carni” (carnes) ou “pesci “ (peixes), que poderá ser servido junto com “contorni”(saladas – sempre servidas no final).

Aqui vão então, algumas sugestões de como preparar um autêntico antipasto italiano para sua família:

ANTIPASTOS: (sugestões)

Melanzani (Beringelas)

3 beringelas médias; 2 xícaras de óleo de milho ou girassol; 2 xícaras de molho de tomates pelados ( Raiola); 1 xícara de salsa picada; 100 g de filés de anchovas (aliche); 3 dentes de alho amassados; 300 g de queijo mozzarella passados pelo ralador médio; orégano; azeite de oliva pimenta do reino moída na hora; sal a gosto.

Prepare de véspera. Lave e enxugue as beringelas, cortando-as com uma faca afiada em rodelas de 2,5 cm de largura (não retire a casca). Esquente bem o óleo na frigideira e coloque as fatias para fritarem dos dois lados, até ficarem bem douradas. Retire-as do fogo e reserve-as em papel absorvente. Coloque-as depois numa bonita travessa, e coloque sal, pimenta do reino, uma ou duas fatias de anchova em cada rodela, cubra cada uma com o molho de tomates pelados já misturados ao alho amassado, salpique com salsa picada e cubra com a mussarela. Deite o azeite de oliva e o orégano em pequena quantidade. Ponha na geladeira e sirva frio como antipasto.

Carpaccio

500 g de contra-filé ou lagarto (se apreciar utilize filés de salmão fresco); 80 g de aliche ou filés de anchovas salgadas; 2 colheres de suco de limão; 2 colheres de salsa picada; 2 colheres de cebolinha verde picada; 180 ml de azeite de oliva; 2 colheres de alcaparras; sal e pimenta do reino; 1 xícara de parmezão ralado.

Limpe bem a carne retirando toda gordura e as peles. Embrulhe-a num filme plástico, em forma de cilindro, acomode no freezer e deixe congelar. Com um cortador de frios, fatie o mais fino possível, (como um presunto) e decore vários pratos com as fatias (10 a 12 fatias por prato).

Prepare o molho: junte o suco de limão, a salsa, a cebolinha, o azeite e as alcaparras. Misture bem e tempere com sal e pimenta do reino a gosto. Na hora de servir, coloque alguns filés de aliche no centro do prato, despeje o molho sobre as fatias de carne crua e polvilhe com o queijo parmesão. Sirva com um bom Chianti como antipasto.

Arrivederci!!! Ciao bello…

criado por giordanocarlos    19:52 — Arquivado em: Fogão de lenha

Vou remando no tempo

Vou remando no tempo: Carlos Giordano – verão 2006

 

Flutuando nessa imensidão

Remava contra o que não sabia

O rio ali era de vida natural

Livre, puro e desconhecido.

 

Das certezas vinham dúvidas

O final está na próxima curva

A mata fechada sinaliza o rumo

Permitindo a luz daquele caminho.

 

Desce rio, vai para o mar…

Leva consigo meu pranto e

Arrasta minhas mágoas para o fundo

Amenizando o calor do meu sofrer.

 

Sigo sem pensar, pensando.

Naquilo que já encontrei

E em um suspiro, esqueci.

Que Ele sempre esteve ali.

 

Quero ser aquilo que devia

Na magnitude de Teu divino desejo

Encontrar-me nesse rio sombrio

Com a pureza do imaculado amor.

 

Esse verde escuro que fascina

Transporta-me do meu nada

A um momento de esperança

Pois a vida existe somente em Ti.

 

 

criado por giordanocarlos    9:50 — Arquivado em: Poesias

7.2.06

Paella com amigos

Não precisa nem insistir.

Quando Carlinhos telefonou, já sabia que era para coisa boa. E num minuto, estávamos, os dois irmãos, e quatro amigos reunidos na Feirinha de Peixes de Bertioga. Que festa.

Como sempre, as dúvidas na escolha do melhor pescado rompiam, de quebra, a realização da compra compulsiva. Melhor assim, sempre.

Lulas frescas, camarão VG com casca e cabeça, filé de camarão, postas de caçonete, mariscos gigantes de cativeiro, um polvo e meia dúzia de caranguejos vivos, esse foi o estrago que fizemos na natureza. Pelo menos nesse dia.

Flavinho nos recebeu na casa do sogro, com o novo fogão, comprado para essa festa. Que simpatia. Cabra bão ta ali.

O Carlinhos, amigo de longa jornada, irmão por escolha, não sabe o que fazer para alegrar a turma. E faz. Sempre consegue deixar todos felizes. Esse é seu carma.

O prato escolhido previamente, seria o retrato da alegria e felicidade desejada para aquele momento.

O arroz arbóreo, deitado no azeite espanhol que recebeu files de alho e fatias de cebola bem fininhas, foi fritando até ficar branquinho, depois de embebido no vinho branco, refogou até ficar al dente. O aroma e o buquê já prenunciavam o deleite que viria na seqüência.

Pistilos de azafran Espanhol coloriram ainda mais aquela pintura. Os camarões limpos e os files de caçonete foram colocados no seu tempo, junto com os tomates sem pele cortados rusticamente em grandes e disformes pedaços.

Ervilhas lançadas por cima, junto com as lulas e os tentáculos do polvo sapecados no azeite previamente, fizeram a platéia aplaudir como num concerto.

Os camarões flambados no wisky na frigideira de ágata branca bem quente, colocados como raios em torno da paella, só esperaram a decoração dos caranguejos já limpos e cozidos na água e sal.

Pimenta do reino moída em cima, uma graça de cheiro verde para colorir e risos alegres a se admirar.

Depois da seção de fotos, as gratas palavras do amigo.

Receita pra quinze, fartaram-se doze.

E o cachorro, coitado, nem experimentou.

Obrigado aos irmãos Carlinhos e Flavio pelo feliz final de semana.

 

 

criado por giordanocarlos    10:20 — Arquivado em: Fogão de lenha

6.2.06

Maresias

Maresias Carlos Giordano Jr.

A serra.

A névoa encobre seu verde

Alvorece um novo mundo

Tudo se renova nesta manhã

O amor invade os corações

E o dia se torna muito melhor

Pudera ser sempre assim…

Os pássaros

Com seus cânticos cariciosos

Somam-se à quietude da mata

Sublimando a criação divina,

E o silenciar da voz humana

Prenuncia a liberdade latente

Da natureza outrora imaculada

O mar

Cálido pelo verão, repousa tranqüilo.

Agora, depois do trabalho difícil

Temeu-se pela morte que ofereceu

Num entardecer de pavor e de sofrer

Ceifando o riso, tirando a paz

Restara somente a dor da solidão

O mar II

Com seus movimentos de afeto

Suas ondas nos afagam com frescor

Meus olhos repousam naquele azul

O medo se foi e descanso no que restou

A areia me esquenta e me fortalece

Hoje sou harmonia, natureza e certeza

A mata

No silencio, a curiosidade me norteia

Descalço, entro no temor de criança

E encontro o que não podia ver

Sou homem, sou bicho, sou o que quiser

Ouço a floresta me chamar, posso ir

Encontro a mim mesmo, só amor

A mata II

Galhos, troncos, mato e medo

Os bichos que não vejo são feios

Dos que vejo, me defendo

Agora caço meu alimento de fé

Ele existe e esta por ali, sempre

Nunca faltou e eu, às vezes, O esqueci

Casinha

Neste colo de serra, ela está

Linda e exuberante, presenteia quem recebe

Com carinho, ternura e bom descanso

Renovando nossa alma em busca de conforto

Rústica, nos dá a paz que queremos

Quando fugimos daquilo que fizemos

Casinha II

Sempre assim, integrada na paisagem

Com graça e benevolência, fizeram-na ser

Como coração novo, recebe nossos desgostos

Transformando-os em combustível de vida

Para queimar na fogueira da razão

Daquela vida que não queremos ter

Café da manhã

Bom dia, parece ser todo dia

Só encanto e alegria,

Risos com café com leite

Omeletes com barulho, e torradas de paixão

Abraços com sanduíches de amor

Esse é o dia que queremos ter,

Café da manhã II

Bom dia nosso dia!

Acordem para a vida, vamos juntos

O Sol sempre esteve por aqui

Quem puder que veja, café na mesa

Fatias no forninho recheadas com carinho

Não demorem, senão taco pedra na janela

Prainha

Pega o gelo, cerveja e emoção

Petiscos sem pecado, cadeiras e guarda sol

Meio dia de horário ruim, seguimos assim

Azul, verde e branco são as cores ali a brilhar

Cantando e brincando com a vida a sorrir

Já lá, queimamos demais, a sós com o mar

Prainha II

Riam da vida vivida, riam do sol e do céu

Da areia quente que queima os pés

Levamos tudo com todos, barraca e isopor

– Homem ao mar!!! Que calor…

É Capitão Carlão, sempre e sempre

Com seu riso, seu carinho e seu amor

Dedicado ao amigo Carlão

Maresias, 19 de janeiro de 2005

criado por giordanocarlos    18:06 — Arquivado em: Poesias

5.2.06

Fazenda Amendoeira…

Quando a lua crescente nasceu no horizonte, um fio de prata riscou a tranqüilidade da praia das tartarugas, na Ilha de Santo André. A pintura em visão quase surreal nos presenteava com aquela sombra noturna do coqueiro, que de dia me acalentava os sonhos de felicidade embalados pelo movimento daquela deliciosa rede.

O brilho projetado no mar nos mostrava o início de um pensamento de conforto, de paz e certa magia. Se pudesse teria gravado o som dessa paisagem.

Foram dias de muita alegria que passamos ao lado de Federico Idi e sua simpática Vanda na Fazenda Amendoeira. Lugar delicioso, que esse amigo construiu a 7 km de Santa Cruz Cabrália no Sul da Bahia. Exímio navegador, passara dez longos anos de sua vida singrando os sete mares a procura de seu refúgio. E ali ancorou seu barco.

A praia das tartarugas, como foi batizada, é abrigada por um recife que se projeta paralelo a praia por cerca de 100 metros, protegendo-a dos movimentos bruscos das marés, proporcionando assim, um verdadeiro deleite para aqueles que curtem o sossego do local. Federico ali edificou seu sonho, erguendo chalés de uma beleza rústica que nos convida ao desejo de sempre voltar.

O restaurante da pousada tem uma graça italiana. Com sua decoração minuciosamente elaborada por quem conhece o que é bom, ele oferece aos seus convidados e amigos, jantares dignos de grandes comemorações. No nosso caso, sempre comemoramos nossa grande e inestimável amizade.

A casinha do pescador foi reformada para nos receber em nossas férias. Integrada na natureza e com os pés na areia, ela nos levou para dentro de suas desconhecidas histórias, proporcionando a todos, dias e noites de muita conversa, cervejinhas geladas e quitutes de camarões e lula frescos preparados no fogo de chão debaixo daqueles coqueiros.

No restaurante da praia, também com os pés na areia, os bons pratos eram preparados pelo chef Federico e eram servidos acompanhados de um bom Chardonay gelado à sombra daquela enorme Amendoeira, que deu nome ao lugar.

Isso realmente nos faz muito bem.

Obrigado ao amigo Federico, que muito lutou para nos presentear  com esse seu pedaço do paraíso.

criado por giordanocarlos    12:30 — Arquivado em: No pé do coqueiro

Margô - A mulher do galinho

MARGÔ: A MULHER DO GALINHO Carlos Giordano Júnior

Depois disso ninguém acreditaria em mais nada.

Quando nasceu, Margarida fôra o nome que recebera de seu pai, numa tentativa quase dantesca de retratar o impossível, estampando na menina a meiguice de uma flor.

Os anos se passaram. Seu pai, desapontado com o resultado de tanta luta em vão, teimando em transformar seu estranho comportamento másculo perante seus amigos, expulsou a promissora Margô de casa, que da pequenina flor que era, nessas alturas, já tinha restado somente o talo. Margô foi à luta. Logo arranjou um biscate de servente de pedreiro numa obra do Metrô da Capital. Dava duro durante o dia, suava a camisa como qualquer peão. Batalhava a coitada, e olha lá do safado que bolinasse Margô. Não tinha pra ninguém, saia na pancada com qualquer um exigindo respeito. Com esse seu jeito, vivia sempre só.

Um dia, tentou arranjar namorada. Não deu, faltou “algo” no relacionamento. Infeliz, Margô quis acabar com tudo se atirando no Tietê. Não conseguiu afundar. Boiou lá na frente e foi retirada do lodo por uma viatura do Corpo de Bombeiros. No pronto-socorro, que de pronto só tinha o nome, Margô fez amizade com uma tal do seu tipo, que já mais amadurecida na idéia, usando sapatos maiores, lhe aliviou o sofrimento ensinando-lhe algumas fórmulas de auto-aceitação e reconhecimento do amor próprio. Ficou sabendo que havia uma tal revolução sexual, onde homens queriam usar saias e mulheres das mais cobiçadas já estavam usando cuecas, tudo isso com o aval da sociedade e dos meios de comunicação, pois vira confirmada a estória num acreditado programa dominical de televisão.

Margô teve alta médica. Saiu do Hospital toda mudada, diferente, capaz de tudo. Num impulso de tentar ver seus valores reconhecidos pelos seus colegas de trabalho, não teve dúvidas, passou numa loja de animais domésticos e comprou um pintinho.

-“Se podem usar cuecas, por que não posso ter meu próprio pinto”.Pensava a pobre e ignorante Margô.

Na obra foi logo apelidada de “A mulher com pinto”… Não se importando com o apelido, sempre tratou bem do bichinho. Andava pra cima e pra baixo com o pintinho, sempre, logicamente escondido dentro de sua cueca nova.

Margô era autêntica, e o principal é que estava em cima da moda. Logo foi invejada no bairro. Todas queriam ter um igual…Nunca se vendera tantos pintinhos como então.

Por sua iniciativa, Margô virou capa de revista, ficou famosa e fizeram até um “Clip” com ela naquele programa dominical da tevê. Que virada!!! Ah! Como Margô era feliz… Se seu pai soubesse, a chamaria de volta com os braços abertos.

Margô ganhou bastante dinheiro com publicidades, comprou carro importado, casa grande com piscina, mas se esqueceu daquele que com o tempo se transformara num tremendo galo com crista e esporas.

Um dia, gravando um comercial de televisão, o galo resolveu cantar ainda de dentro da cueca…có-có-ró-có!!! Margô, desesperada deu-lhe uma porrada, e o pobre galo, na defensiva, cravou-lhe as esporas na virilha. E, como o bichinho não se acalmava, resolveu enfiá-lo no primeiro buraco que encontrou…

O buraco estava contaminado!

O galo, que não pediu pra entrar, morreu tentando sair…

Margô, que já tinha perdido o pinto, morreu de infecção na vagina.

O dono da granja ficou rico com as doações de frango que recebera.

criado por giordanocarlos    12:23 — Arquivado em: Causos

Tempo de despertar

TEMPO DE DESPERTAR Carlos Giordano Júnior

O ônibus passava às 12h30’,e lá eu ia, todo contente com meu violão vermelho tamanho king-sise, rumo à escola de música. Um dia, sentei-me ao lado de uma velhinha, coitada, toda enrugadinha, de lenço na cabeça, vestido puído, cheirando a naftalina de armário que pega umidade no porão da casa de fundos da vila da rua sem saída. Dentadura sim, em cima, dentadura não em baixo, boca murcha, chupada. Velhinha feia mesmo, toda acabadinha.

- Dá licença, vó? -

 Faça-o-avor! Respondeu a murchinha. Era educada ela.

Quando me sentei, delicadamente esbarrei-me num saco de papel todo amassado que a anciã levava consigo sobre as pernas tomadas de varizes. O pacote caiu aos meus pés, derrubando alguns embrulhos que se espalharam debaixo dos bancos do circular. Atenciosamente, como fôra educado, tomei a iniciativa de reparar o meu erro, juntando todos os pacotes e colocando-os de volta no saco, devolvi-o à velhinha que mascava nada na boca, esperando uma atitude do mocinho.

- Desculpe, vó. Foi sem querer.

- Foi nada não, fio!

O circular continuou sua jornada, e a velha juntando saliva com sua mascada incessante. Em frente ao Sud Mennucci, fim do período, ponto cheio. As portas do coletivo se abrem e a moçada toda se pincha pra dentro ocupando todos os centímetros quadrados, fazendo a maior estrepolia. Garotas bonitas, de saínhas curtas, quase que mostrando as calcinhas àqueles que, curiosos, derrubavam coisas ao chão para que ao catá-las pudessem aumentar, dessa forma, seu ângulo de visão. De repente, a velha, conferindo seu pacote, exclama:

- Roubaram, roubaram…não é possível, roubaram!!!

- O que, dona?

- Roubaram meu pacotinho!

- Calma vó, calma.

- Calma coisa nenhuma, roubaram… roubaram meu pacotinho! E, pensa que parou aí? A enrugadinha emendou, já a fortes brados, chamando a atenção de todos:

- Foi ele, foi esse aqui! Referindo-se a mim, me enfiando seu dedo todo tortinho na minha cara de jovem enrubescida de vergonha e de pavor.

- Qué isso, dona, eeeuuu? Fale baixo, vó, por favor… - Ele me roubou, porque sou uma pobre velhinha desamparada. E, quem vai acreditar em mim?

- Pare dona, pelo amor de Deus! Eu não peguei nada, não senhora.

- Socorro, motorista, pega ladrão, pega!!!

O alvoroço se formou. A velha gritando. A moçada agitada, já querendo ver meu sangue jorrando de meu corpo quente, escorrendo pelos degraus da porta da frente, rumo ao necrotério. Puta brecada! Ajeitou a carga. E, o motorista grita lá da frente:

- Devolve o embrulho aí, meu. Senão cê vai se dar mau!

- Não peguei, tio, pela-mor-de-Deus, não peguei. Pode revistar. E a velha:

- Ele deve ter passado pra alguém. É isso, só pode ser isso.

- Por favor, mi’a senhora, não peguei, juro que não. O zurugundum comendo. Eu desesperado. O povão querendo ver sangue. A velha já ia perder a dentadura de tanto gritar, quando o motorista, muito nervoso gritou: - Ninguém sai, ninguém entra. Vamos lá pra baixo (expressão muito popular designando a ida até a delegacia). Juro que me senti o próprio pivete, trombadinha, pé de chinelo, ladrão de melancia. Pensei na minha mãe, no meu pai, nos meus amigos indo me visitar na cadeia. O coletivo se aproximava da delegacia, o pavor aumentava, a velha ainda estava com a dentadura no lugar, a moçada me olhando com reprovação de assaltante de velhinhas desamparadas.

A uma quadra do destino, do doutor, das grades, do vexame, das surras, a anciã desesperada anunciou:

- Ai, moço, foi engano, desculpe! O pacotinho tava no meio das minhas pernas, me desculpe. E, emendou:

- Motorista, me desculpe, foi engano, foi engano, Nossa Senhora Aparecida! - Pela-mor-de-Deus, vó a siora me mata de susto e de vergonha. Nunca mais faça isso, nunca mais faça isso.

 - Ói moço, não sei como reparar meu engano.

- Tem nada não, dona. Puxei a cordinha, e quando ia saindo do coletivo a velhinha me segurando pelos braços, entregou-me um pacotinho e disse-me:

- Olha, filho, esse é um pequeno presente que te dou na tentativa de reparar o meu erro, e depois de abri-lo, toda vez que olhar para ele se lembrará de mim te pedindo desculpas.

- Tá bom então.

Embora sabendo que, conforme orientação de minha mãe, não deveria aceitar presente de pessoas estranhas, peguei o embrulho e saltei. No caminho do ponto até a sala de aula, a curiosidade foi aumentando a tal ponto que não pude mais agüentar e apressadamente fui abrindo o pacotinho… E, para minha surpresa, acreditem, era um bonito relógio despertador, todo folhado a ouro, com mostrador em porcelana, e ponteiros também dourados. Estava parado. Dei cordas e ele soou…soou sem parar, até que acabei por acordar e descobrir que tudo não passara de um grande e agitado sonho.

criado por giordanocarlos    12:18 — Arquivado em: Causos

« Posts mais novosPosts mais antigos »
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://carlosgiordano.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.