Na sombra de um coqueiro

Divirta-se com Causos, Crônicas, Poesias, Família, Fogão de lenha, No pé do coqueiro, Tocando a Tuba. (Vedada pelo autor a Criação de Obras Derivadas) Você não pode reproduzir, alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.

28.2.06

QUARESMA - Tempo de reflexão.

QUARESMA - Tempo de reflexão.

Carlos Giordano Jr.

 

A quaresma é o tempo da reflexão e conversão.

A Igreja Católica orienta a nos preparamos para a grande festa da Páscoa, onde celebramos a ressurreição do Cristo vivo. É tempo de reflexão, arrependimento por nossos pecados e de mudanças ou pelo menos de planos de mudança para que sejamos melhores e possamos viver melhor ao lado do Pai.

A Quaresma dura 40 dias; começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-Feira Santa. Nesses dias, normalmente alguns deixam de beber bebidas alcoólicas como símbolo de penitência e arrependimento. Outros deixam de comer doces ou fazer coisas que lhes apetece normalmente. Seria profícuo, estabelecer um tempo que seja necessário a projetar bons planos de vida onde o amor seja o alicerce.

Para isso, o momento oportuno é encontrado depois da festa pagã do carnaval, onde se afloram os desejos carnais e materiais, deixando de lado a magnitude do Plano Divino de felicidade deixado por Cristo. Nesse palno o pecado não deve existir para não perdermos a amizade com Ele, para não nos afastarmos de Sua Graça, desgarrando do caminho da felicidade.

Na Quaresma, a cor roxa significa luto e penitência. Mas, na época de criança, ficávamos assustados, pois nos diziam que os santos eram cobertos com manto roxo para ficarem protegidos dos demônios que estavam à solta. Agora sabemos que a Quaresma é apenas mais um momento na vida para reflexão, penitência para purificação, conversão espiritual e preparação para a Páscoa.

Cristo sempre, durante toda nossa vida, nos convida a viver seu plano de amor. Vivenciando as verdadeiras atitudes cristãs, estaremos indo de encontro à Sua Vontade. Em contrapartida recebemos seu Eterno Amor, experimentando a paz e a felicidade.

E o que fazer? Se não conheço bem esse Plano?

A cada dia, dispa-se não de suas roupas, mas de seu ódio, de seu rancor, da inveja e dos excessos de vaidades. Deixe de querer a matéria. Deixe de querer satisfazer-se com a realização de seus desejos materiais, pois essa satisfação está durando cada vez menos tempo. E já sabemos que nos tornamos cada vez mais insatisfeitos buscando mais e mais coisas para comprar ou para fazer.

A cada dia, dispa-se não só de seu orgulho, mas de toda a arrogância advinda daquilo que encontra sempre ao olhar para o espelho. Deixe seu espelho e se lance no olhar do Cristo. Encontre-se Nele, pois Ele nunca irá deixar de acompanhar seus passos. Ele é o caminho.

Tentemos nesses dias de Quaresma, aceitar nossa própria cruz com alegria e deixando as reclamações e insatisfações de lado.

Despindo-nos de nossas fraquezas, encontraremos a força necessária para nossas pretensas realizações.

Aproveite que A Graça é de graça.

criado por giordanocarlos    12:41 — Arquivado em: Crônicas, Família

25.2.06

Largue tudo, é carnaval

Largue Tudo - Carlos Giordano Jr.

 

Largue tudo…

Sábado de Carnaval

Meio animado, meio triste

Vá fazer uma comida

Chamar seu amigo

Tomar umas tantas

E rir da vida

Rir de tudo

 

Largue tudo…

Saia correndo

Não atenda o telefone

Atenda você, ligue em você

Corte o fio da internet

Ligue o fio do desejo

Na tomada do amor

E parta pro abraço

 

Largue tudo…

Nêgo chato e suado

Bafudo e babão

Sovaco fedido e pinga na mão

Corra disso, vá na contramão

Pegue a viola, faça uma serenata

Para aquela que te espera

E receba um sorriso de gratidão

 

Largue tudo…

Vá no mercadão comer pastel

Faça amizade, fale com o povo

Passe na beira do rio e de uma cuspida

Traga sardinha e ponha na brasa

Só com sal grosso, à portuguesa

Tome um trago e caia na rede

Cochile, ronque e peide à vontade

 

Largue tudo…

Porque hoje é sábado

Leia um livro

Mas um que seja bom

Pode ser aquele que conta a história

Do Criador

Reflita, repense e compense

A falta que faz o Seu Divino amor.

criado por giordanocarlos    22:02 — Arquivado em: Poesias

24.2.06

Mais um carnaval.

Carnaval de novo….

Carlos Giordano Jr.

 

Eu vou é cortar meu dedo e sair de Lula

Vou cantar marchinhas e pular gostoso

Quanto choro oh, quanta pobreza!

Vou mesmo é tomar um porre

Vomitar meu nojo

Alah-la-ô, ôôôô. Vou rasgar sua fantasia bem no meio do salão.

 

Oh jardineira por que esta tão triste?

Eu sei bem o que te aconteceu

Confete, serpentina e lança, lança…

Lança ele pra fora do salão.

Nego sem dedo aqui num entra

Alah-la-ô, ôôôô. Vou rasgar sua fantasia bem no meio do salão.

 

Quero mesmo me cancelar

Vou virar sabão, no salão Brasil.

Fantasia, máscara e hipocrisia.

Toma o circo que te roubaram o pão

Fui de gente e voltei indigente.

Alah-la-ô, ôôôô. Vou rasgar sua fantasia bem no meio do salão.

 

Sei não se vou com cara de nada

Nada de novo, nada de encanto

Nada de frente, tudo pelas costas.

Na costa abunda a bunda, muita bunda

Abunda a apologia à ignorância.

Alah-la-ô, ôôôô. Vou rasgar sua fantasia bem no meio do salão.

 

Sabe o que aconteceu?

A velha se mandou e o jacaré morreu.

Fala você velho guerreiro

Alô, Terezinha… Vai para o trono ou não vai?

Vai não. Leva o abacaxi aí.

Alah-la-ô, ôôôô. Vou rasgar sua fantasia bem no meio do salão.

 

Alah-la-ô, ôôôô. Vou rasgar sua fantasia bem no meio do salão.

Alah-la-ô, ôôôô. Vou rasgar sua fantasia bem no meio do salão.

criado por giordanocarlos    18:56 — Arquivado em: Crônicas, Poesias

23.2.06

Na pizzaria do Lula…

NA PIZZARIA DO LULA - Carlos Giordano Jr.

Não é sempre que passo por lá. Mas quando tem promoção, eu não resisto.

Lugar de famosos intelectuais barbudos, passou a ser ponto de encontro para bate papos sobre tudo o que se passa neste próspero e desesperado país.

O pizzaiolo, anfitrião simpático e também barbudo é o próprio que deu nome ao local. Ontem tinha destaque o cartaz na porta: “Pizza BMG” – Pague uma e leve 5.

- Ô Lula, ocê exagerou nesse cartaz.

- Que nada, a maioria lê e nem se dá conta. E emendou… - Você nem acredita, mas é o segundo que notou. Vendi uma pra um tal de Neto, e o cara tava meio puto. Acho que ele não gostou do recheio.

- Claro Lula, quem experimenta, é certeza ter uma enorme indigestão.

- Que vai querer?

- Desce uma gelada aqui no balcão, por enquanto.

- É agora mesmo, patrão, e se quiser senta e vai aperitivando aí no banco da Rural. Quase se matando de rir, me apontou um banco velho, todo roto, que colocara propositadamente ali no canto do salão, junto com o corotinho de cachaça.

A turma tava lá e a prosa era essa…

- Vocês acham que o presidente não sabia?

- Dá licença, bicho. Deu com uma mão, tirou com cinco.

O Dirceuzinho, já com umas na cabeça, tava meio chateado com a discussão e foi logo metendo o bedelho…

- Eu falei pra vocês… Ano passado, lá na rua do comércio, tinham umas mil pessoas caçando os velhinhos do INSS, pra emprestar dinheiro pra eles. Eram todos da turma do BMG. Nunca vi tanto assédio, parecia que o dinheiro nascia como mato.

- Ta certo, coitados desses aposentados. Agora tão devendo mais do que podiam.

- Claro, foram enganados pela maioria. Como sempre.

- Agora vocês viram de onde veio essa dinheirama toda? 390 milhões dos fundos de pensão da Petros, Funcef e outros, que apresentaram grandes perdas ano passado.

- Dinheiro do povo, que volta pro povo agora como dívida. Emendou um aposentado que tava quase morrendo sentadinho no banco da Rural.

- Burro! Exclamou um bêbado caindo perto da porta do banheiro.

- Ainda puseram a culpa naquele careca, que conseguiu emprestar 55 milhões do BMG com garantia do Genú, que assinou sem ler e, portanto não precisa responder.

Tinha um barbudo quebrado que perdeu tudo no ano passado, comentando:

- Eu falei lá no Banco que eu tinha assinado sem ler. Eles me executaram. Pra mim não colou.

- Burro! Gritou de novo o bêbado xarope.

- Ê Lula, onde ocê tava, vai demorar pra começar o serviço?

- To indo, calma, é que eu saí um pouco. Fui mandar um barro lá fora.

- Faz uma do U2 pra viagem. Pago caro, mas eu prefiro.

criado por giordanocarlos    8:02 — Arquivado em: Crônicas, Tocando a Tuba

20.2.06

Repúdio ao SBT

Carta ao SBT.

DIVULGADA NA INTERNET

O que nos chama a atenção é a idade da garota que escreveu (veja ao final da carta).

" Aos responsáveis pelo programa Domingo Legal:

Não posso deixar de demonstrar o meu profundo descontentamento perante a Programação exibida aos domingos.

A tentativa de libertar o marido da da cantora Simony é vergonhosa. Engraçado como a mídia se mobiliza para libertar um assaltante de bancos, mas ninguémvem aqui em casa para nos comprar um carro novo, já que o nosso foi roubado depois de ter sido comprado com muito suor e trabalho. Engraçado que o filho da Simony não pode crescer longe do pai, que já tem 2 crianças largadas no mundo, mas a filha do amigo do meu pai pode ficar órfã aos 2 anos de idade, pois o pai dela foi assassinado ontem (num assalto)… Ninguém do SBT foi a casa dela perguntar se ela precisa de alguma coisa.

O meu pai chegou a levar um tiro num assalto e já perdeu tanto dinheiro em outros assaltos que nem se lembra quanto, mas infelizmente ninguém se propôs a repor o dinheiro roubado para tirá-lo do sufoco ou sequer apareceu alguém para visitá-lo no hospital… Isso não dá ibope…

A revista Veja publicou uma matéria que deixou assustado qualquer cidadão de bem (menos o Sr. Gugu que anda com seguranças armados até os dentes e não depende de uma polícia despreparada que vive com um salário de miséria). De cada 100 criminosos, apenas 24 são presos, só 5 vão a julgamento e apenas 1 cumpre a pena até o fim. APENAS 1% DOS BANDIDOS FICAM PRESOS E VOCÊ AINDA QUER SOLTAR O QUE ESTÁ PRESO? Isso é realmente lamentável… O coitadinho só roubou um banco, merece ficar livre.

Por que o Sr. Augusto Liberato não mostra o fim daquele mendigo, que ele ajudou com casa, dinheiro e trabalho… Depois de todo aquele estardalhaço que o Domingo Legal fez para ajudá-lo, não vi nenhuma menção ao fato dele ter sido preso assaltando um posto de gasolina após perder tudo o que o Gugu deu… E o fim daquele pequeno polegar, o Rafael… Pobrezinho… Certamente, não sou a favor do programa penitenciário no Brasil… Sou a favor dos presidiários estudarem e trabalharem para a sociedade em troca de redução da pena, caso não tenham cometido crime hediondo, mas ser solto antes do tempo só porque a Simony engravidou é demais pra minha cabeça… Políticos não ficam presos e agora também artistas e parentes têm imunidade? Só no Brasil mesmo pra acontecer esse tipo de coisa.

 Concordo que a violência exacerbada que está batendo à nossa porta é fruto do descaso do governo e da sociedade para com as crianças de alguns anos atrás que foram deixadas sem escola, creche crianças abandonadas à própria sorte, mas soltar os bandidos por essa justificativa não resolve.

Por que o SBT não faz uma campanha para os políticos investirem mais em educação e creche, ao invés de soltar presidiários parentes de celebridades? Ou mesmo colocar uma programação mais decente, que proporcione cultura, ao invés de mulher pelada? É um caso a se pensar…

 Vou parando por aqui, pois tenho um enterro para ir (já mencionei o amigo do meu pai que foi morto ontem). Deixo aqui a minha revolta perante uma televisão podre, que vende a ignorância, e proporciona festivais de absurdos, como se a vida fosse uma simples brincadeira.

Domingo Legal já está bloqueado aqui em casa e farei o possível para convencer as pessoas com um mínimo de inteligência a não mais assistirem a essa porcaria. E se a Simony ama tanto o marido dela, que espere ele cumprir a pena e pagar o que deve para a sociedade ou será que o amor dela não é suficientemente grande para agüentar as adversidades? "

Priscila, 16 anos, São Paulo - SP.

A atitude dos internautas que concordam com esse texto deve ser a mais simples possível: Repassar a todos os amigos de sua lista.

criado por giordanocarlos    17:47 — Arquivado em: Fala pra mim

19.2.06

Amor egoísta

AMOR EGOÍSTA - Carlos Giordano Jr.

 

 Amar um egoísta requer muita sabedoria

Abnegação total, desprendimento e paixão.

Um coração dedicado bem cheio de alegria

Que nele, seguro, repousará a dor da solidão.

 

Amar um egoísta é como polir diamantes

Rústicos, que lascam quando se golpeiam

Trazendo à luz suas dores lancinantes

Das veias expostas que aos poucos açoiteiam

 

Amar um egoísta é que se experimenta

Doar-se por amor ao seu amor sem previsão,

Cujo desinteresse, que de pronto atormenta.

Causa medo, por ser cálida sua transformação.

 

Amar um egoísta é considerar-se um vencedor

Dessas vitórias incansáveis acalentadas com furor

Saboreando a conquista de desejar vencer sem dor

Colherá dos espinhos a beleza de uma flor.

criado por giordanocarlos    19:41 — Arquivado em: Poesias

18.2.06

No bar com o Lula…

NO BAR COM O PRESIDENTE - Carlos Giordano Jr.

- Lula, o povo quer emprego!

- Mas, companheiro, para conseguir emprego, é preciso se capacitar. Afinal, as empresas ao contratarem, têm que receber aquilo que o funcionário tem para oferecer. Se eles não se instruem, nunca poderão crescer profissionalmente.

- Certo presidente. Sempre sonhei ouvir isso do Senhor.

- E digo mais companheiro… Vou parar com essas viagens absurdas que andei fazendo, e vou me dedicar à causa operária.. Afinal eu prometi os 10 milhões de empregos, né?

- Ô Lula, a PUC demitiu mais de 450 nesses últimos dias.

- No fundo, a culpa é minha. Eu devia ter investido na educação do povo brasileiro.

- Mas Lula, onde você estava?

- Eu viajei uns dias… Só que no fundo gostaria de ter investido uma boa parte do orçamento no ensino público. Dando educação, o brasileiro se capacita a trabalhar, e trabalhando ele progride levando o país pra frente.

- Isso é muito bom presidente. Ê Zé dá mais uma aí!!!

- Pois é, um sujeito me avisou que o brasileiro que recebe educação, pode cuidar de sua própria vida, não dependendo do governo para quase nada e o melhor de tudo é que ele, constrói sua própria casa, cuida da sua família com boa alimentação, e buscando um melhor padrão de vida, acaba melhorando seu poder de compra.

- E daí, presidente?

- O brasileiro que consome nossos produtos, faz girar a economia e por conta disso gera mais arrecadação de impostos. Entendeu?

- Ô Lula, no fundo todo mundo sabe disso.

- Com essa arrecadação, posso investir mais em pesquisas, educação e cultura para meu povo.

- E, o Senhor acha que isso colocaria o Brasil numa condição melhor?

- Tenho certeza, companheiro.

- Porque o Senhor não começa então?

- Começar o que mesmo?

- Primeiro, pra aproveitar o momento, o Senhor poderia intervir na PUC, declarando que aquela instituição passará a ser regida pelos interesses do povo brasileiro. Dizendo não aos interesses dos banqueiros que exploram cada vez mais a nossa própria ignorância. Bota os professores de volta para trabalhar. Depois, Lula, o senhor bota lá um monte de gente que está desesperada para estudar e não pode pagar. E te conto, não podem pagar, pois seus pais, por não terem tido oportunidade também de estudar, não conseguem um bom emprego para sustentar com dignidade suas famílias, dando estudo para os filhos serem alguém na vida.

- Zé, passa a régua. Tenho que falar com o ministro da educação.

- Tchau Lula, deixa que eu pago essa. Aproveita essa onda e estuda um pouco também, daí o senhor vai ver como melhorar a vida de muita gente.

 

Espero não ter sonhado isso…

Só com educação teremos dignidade.

Abaixo as demissões na PUC

Pelo fim do controle dos interesses das instituições bancárias.

Vamos juntos lutar pela necessidade do ensino público e gratuito.

criado por giordanocarlos    8:40 — Arquivado em: Tocando a Tuba

17.2.06

VAI BRASILEIRO….VAI SE FERRAR!

Vai, se ferre… VAI DE VARIG….

Tenha dó do povo brasileiro…

Acabei de ficar 35 minutos no telefone, pagando a conta, claro, para confirmar uma reserva no Serviço Smile da Varig.

Para confirmar a emissão da minha passagem, usando minhas milhas acumuladas, portanto deveria viajar de graça, me foi cobrado uma pequenina TAXA DE COMBUSTÍVEL de R$ 80,52, outra pequenina TAXA DE SEGURANÇA de R$ 85,00 e outra pequenina mas normal TAXA DE EMBARQUE de R$ 63,57 numa miserável soma de R$ 229,09. Isso porque deveria ser DE GRAÇA.

Afinal acumulei minhas milhas para isso. Escolhi a Varig por isso. E me ferrei por isso também.

- Mocinha, o que é taxa de combustível?

- Não posso lhe informar, Sr.

- E por que não?

- Porque não sei, Sr.

-Você poderia verificar no seu sistema de que se trata tal taxa?

- Um momento, Sr.

Minutos depois…E eu, claro, já puto.

- Não posso lhe informar, Sr.

- Por quê?

- Porque aqui não diz nada não, Sr.

- Amiguinha, você pagaria algo que não soubesse de que se trata?

- Não sei lhe informar, Sr.

- Que bom. Resmunguei como um velho idiota e solitário. E fui logo emendando…

- Você poderia perguntar a alguém, por exemplo seu Supervisor, de que se trata tal cobrança?

- Um momento, Sr.

E, 12 minutos depois….

- Sr., meu supervisor disse que também não sabe informar nada.

- Muito obrigado, pela desinformação. Alerto que por consideração aos clientes, deveriam saber pelo menos o que estão cobrando…

- Mais alguma coisa, Sr.?

- Sim. Por favor, de que se trata os R$85,00 de taxa de segurança?

- Não sei lhe informar, Sr. Mas, acho que deve ser por segurar alguma coisa, né.

- Que bom, vamos pular todos os contratempos e resumir… Você não sabe por que está me cobrando, e nem tampouco o que me poderia oferecer com tal cobrança. Porém tenho que pagar sem saber o que, caso queira confirmar minha passagem gratuita do programa de milhagem da Varig. Certo?

- Certo, Sr.

- 230 paus, pago agora. Certo?

- Sim Sr.

Mesmo puto, dei-lhe meu numero de cartão de crédito e dancei como dança o brasileiro estúpido que aceita absolutamente tudo o que lhe impõem, sem reclamar. Passivo e idiota.

Por isso uso este meio para divulgar minha puta indignação.

Não uso mais VARIG. Danem-se.

criado por giordanocarlos    17:00 — Arquivado em: Tocando a Tuba

SABORES DA ESPANHA

GASTRONOMIA: SABORES DA ESPANHA – alho e oliva

Carlos Giordano

O gosto pela boa mesa do brasileiro, sem dúvida, dono de uma das mais ricas culinárias do mundo, vem tradicionalmente da farta mistura de sabores e aromas herdada de todos os povos que aqui se fixaram.

Num mix de necessidade, prazer, e romantismo, identificamos interseções de paladares que, com extrema harmonia, experimentam o convívio, na chamada cozinha moderna, agradando a todos os que se dedicam à beira do fogão, a oferecer momentos de muita alegria sob as sombras de uma deliciosa refeição.

No nosso cardápio encontramos desde a paella valenciana convivendo com a moqueca baiana, como o rizoto italiano fazendo parceria com o arroz de carreteiro gaúcho, o camarão na moranga com o sushi japonês, a feijoada africana com o cassoulet francês, as pizzas com os crepes suiços, e até o hot-dog americano com o churrrasco catarina feito no chão em torno da brasa. Mas o casamento desses pratos não data de muito tempo. Aproximadamente um século nos separa da farinha de mandioca indígena e a caça de sobrevivência dos pratos mais sofisticados da culinária internacional.

Essa fabulosa cultura gastronômica nos foi trazida cruzando os oceanos pelos imigrantes que se dispunham a encontrar melhores dias na América. Dentre eles os espanhóis, que embora mais humildes na potencialidade culinária, não chegando a nos envolverem com hábitos gastronômicos tão fortemente como os italianos e os portugueses, trouxeram à partir de 1884, data dos primeiros registros de imigração espanhola no país, o prazer de sentir o aroma do alho e do azeite de oliva, ingredientes estes que tomaram conta dos nossos paladares.

A cozinha espanhola também tem em seu conteúdo histórico a influência de outros povos, como os fenícios, gregos, árabes, judeus e italianos, que aportavam na península Ibérica a caminho do Oriente. Com sabores marcantes e colorido forte, os pratos típicos espanhóis mais conhecidos dos brasileiros são a paella e o cozido madrileño ( puchero ).

E para não ficarmos somente na filosofia, vamos ao que interessa:

COZIDO (puchero)

Ingredientes: 2 xícaras (350 g) de grão de bico 200 g de toucinho defumado 2 lingüiças calabresas 1 paio 500 g de ponta de agulha magra (cortada em pedaços) 500 g de músculo ou coxão duro (cortado em pedaços) 1 kg de frango cortado em pedaços 2 cenouras médias inteiras e raspadas 1 kg de batatas médias inteiras e descascadas 3 batatas médias inteiras e descascadas 1 repolho médio cortado em quatro pedaços 3 cebolas médias inteiras 1 nabo médio descascado 5 dentes de alho inteiros azeite de oliva 1 cebola média picada, páprica picante, pimenta do reino moída na hora. (por sugestão de meu mestre Espanhol, Sr. Roberto, a pimenta do reino deve ser suprimida, caso queira encontrar-se com a originalidade do verdadeiro sabor hispânico)

Como fazer: -

Lave escorra os grãos de bico na véspera, deixando-os de molho numa tigela coberta.

-No dia seguinte, passe os grãos de bico com a água do molho para uma panela grande e cozinhe em fogo brando por 2h30’ ou até ficarem macios mas não desmanchando. -Coloque para ferver cerca de 3 litros de água e junte sal, os dentes alho e depois coloque o toucinho, a calabresa, o paio, a ponta de agulha e o músculo, abaixe o fogo para médio e tampe parcialmente a panela deixando para cozinhar cerca de 1 hora, depois junte o frango e deixe cozinhando por mais uma hora. Retire o toucinho, as calabresas e o paio e reserve. Junte os legumes ao caldo e verifique o tempo de cozimento para que não fiquem cozidos demais ( devem ficar firmes ).

-Numa frigideira, colocando-a ao fogo, deixe aquecê-la e deite o azeite de oliva, espalhe a cebola picada, junte a páprica ou colorau, sal e pimenta do reino moída (lembre-se da sugestão acima) na hora e junte ao caldo de cozimento.

-A medida que os legumes forem ficando prontos (cada um a seu tempo de cozimento), prove o sal, corrija se necessário, retire-os da panela e sirva arrumando separadamente em travessas brancas. Em outra travessa junte as carnes, as linguiças, paio e toucinho ( fatiados depois de cozidos ). E, por final sirva separadamente os grãos de bicos, despeje um pouco do caldo sobre as carnes, os legumes e os grãos de bico, e o restante coloque em uma sopeira bem bonita.

-Sirva bem quente.

-Vai muito bem com um Rioja ou um bom Ribeira del Duero.

Rendimento: 6 a 8 porções

Saludos a todos los hermanos españoles que de una manera u otra ofreceran su sangre para construir parte de nuestro rico Brasil.

criado por giordanocarlos    12:53 — Arquivado em: Fogão de lenha

12.2.06

Uma história de amor

UMA HISTÓRIA DE AMOR: Por Carlos Giordano Jr.              Verão de 2005 

José era um sonhador. Quando conheceu Candinha, teve a certeza que sua espera acabara. Seu sorriso encantadoramente cativante conquistara seu coração.

Nos olhos daquela que seria a grande paixão de sua vida, pôde encontrar a ternura e o brilho que iluminaria seu viver. Seguro, seus dias não seriam mais os mesmos. Agora sabia que o amor de verdade podia existir. Quisera ele, num encanto, imaginar ser possível encontrar alguém a quem pudesse sentir um amor assim tão edificante, puro como a bruma, doce como é doce o mais doce mel e que esse alguém também o amasse como nas poesias e nos contos, cuja demonstração de carinho, pudesse ser o combustível para fazer pulsar de novo a motivação do seu querer. Esse encanto ficaria para sempre morando no seu peito. Viveria por ele. Morreria para que ele não morresse jamais.

José conheceu Candinha às vésperas de uma grande festa. Entristecido pela morte de seu Pai, ergueu-se ao vê-la, como se ergue das profundezas irreais de um abismo cruel, buscando naquela, a alegria de poder viver sem o choro contido. Mostrando-se como um tolo, endereçou olhares de galanteio para aquela pequena flor, cheia de vida, que emanava ao vento seus perfumes de prazer que, coitado, acreditava serem só dele.

Como num sonho, mas de fato, aquilo não podia ser real. Sua suspeita não poderia ser palpável, porém Candinha o recebera com gestos de bem querer. Uma frase, um aceno e finalmente um sorriso. Aquele. Sempre.

Despertando então para o amor, seus corações se uniram numa aliança de paixão que deixariam transparecer a quem quisesse ver, a forma divina da manifestação suprema de ser feliz. O casamento veio em seguida. A família, fôra presenteada por frutos maravilhosos colhidos daquela árvore de amor. Eram três, lindos. Mais felicidade seria intolerável. Não poderia ser tanta só para eles. Deus os teria escolhido para serem tão dignos de tudo isso?

Por acreditar sempre no poder da gratidão, José, voltando-se ao Pai Celeste, curvava-se em reverência agradecendo-O por tudo e pedindo com receio que nunca o libertasse dessa imensa ilha de felicidade.

O tempo passou. As crianças foram crescendo, e a luta constante envelhecera o semblante de José. Seu cabelo brilhava como neve ao Sol, pois a lida com a vida o tornara mais severo, exigente e intranqüilo quanto ao futuro daquela família.

O mundo exigia mais e mais. Os filhos, inquietados por tanto querer, seguiam pedindo mais satisfação do que felicidade. E a matéria teve lugar naquilo que até então, se mostrara Divino.

O coração de ambos virara pensamento. E as dúvidas quanto aquele amor, já eram escritas nas areias do desafeto. Aquele sorriso cativante de Candinha cedera lugar a um novo olhar, agora distante e triste. A insatisfação entrou pelos vãos dos dedos calejados pela luta com a enxada, e José não conseguiu fazê-la compreender que o amor estava por um fio. O que era afeto estava se tornando mágoas. Seus beijos outrora molhados por seus lábios febris eram frios e duros como gelo. E Candinha aos poucos se foi… Deixando-os sós com seu corpo, sem sua alma.

Quanto sofrer, quanta dor.

-Porque Senhor nos tirastes nosso chão? Bradava José… Que mal pôde ter feito a Ti para condená-lo à tristeza de ver seu amor um dia partir?

Aos prantos pedia a Deus que o abençoasse rogando por Sua imensa Graça, permitindo a ele, voltar a viver aquilo que o mantivera vivo um dia. E Candinha, cega na alma, deixou que seu corpo e seu pensamento tentassem abrandar sua dor, buscando algo que ainda não conhecia. Levada pela escuridão, procurou depositar seu afeto em outro amor. Havia deixado para trás tudo o que tivera, inclusive sua própria identidade e principalmente sua dignidade.

Mas José ainda a amava. Sempre a amou. Incansavelmente. Com a pureza que lhe restava…. A amou. Pediu que voltasse ao mundo real. E, Candinha não respondeu. Simplesmente o deixou.

Desgastado pela dor, José ficara com os frutos daquele amor, para dar-te o conforto por tê-lo vivido com tanta intensidade e para sofrerem juntos, a agonia daquela ausência. Quanto sofrer.

José alimentava seus filhos com a esperança de que um dia Candinha abriria de novo seu imenso coração, recebendo a todos para morar novamente em seu seio. Presentearia a todos com seu amor, com seu carinho, com seu afeto inegável e com aquele sorriso que se apagara na infidelidade.

Talvez tivesse sido seu erro, amar demais, abafando a sua amada com o desejo de fazê-la feliz. Candinha poderia ser mais feliz do que tivera sido? Seria desumano. Mas a idéia do novo amor não teve reflexo no espelho da emoção. Aquilo que estava vivendo não era de fato o que sonhara. Afinal, o que mesmo estava sonhando? Queria ser satisfeita, mas não feliz. Esse foi seu erro. A felicidade só tem moradia no coração. Cada qual tem sua chave. Basta girar e permitir. Felicidade é amor. Deus é amor. Pureza, entrega, cumplicidade, afeto, carinho, fidelidade e devoção, isso sim é que é o verdadeiro exercício de amor.

José, sempre inconformado, mas ainda um verdadeiro sonhador, procurava em Deus a resposta para sua ação. E decidiu ir buscá-la. Sua busca foi quase insana. Por meses seguiu a procurá-la.

Onde estaria sua amada? Estaria ela feliz? E se ao encontrá-la, a visse com outro amor, qual seria sua reação? José ficou então com muito medo. Não sabia como responder aos seus inconstantes momentos de dúvidas. Afinal qual seria a única certeza que teria se a encontrasse? Claro que, se ao encontrá-la nos braços de outro amor, poderia desejar a própria morte, mas seu amor era maior que sua consciência e assim continuava com sua procura.

Só conseguiu perder a razão quando a viu coberta por uma névoa de pecado. Sim, ela tinha dedicado seu coração a outro amor. Como pudera ter feito isso sendo ainda casada com José? Não, não era ela. Não poderia ser ela. Isso seria loucura, pensou o pobre desolado.

José sentiu-se traído, pois seu coração estava entregue à ela, só à ela. Sentiu-se a beira da morte. Seu coração bateu sem ritmo distribuindo toxinas pelo corpo ensandecido de tanta dor. A angústia de poder vê-la assim o levou a pensar que seu fim estaria próximo. Mas, mesmo com uma dor horrível em seu peito, não desistiu. Chamando-a de volta, como quem chamara antes a volta do Pai já morto, não encontrou seu ouvido. Seu coração virara pedra. Fingia não vê-lo. Simplesmente o ignorou.

A vida de Candinha estava em ruínas e ainda assim não podia ver. Daquele abismo que encontrara José, agora Candinha tirava seu sofrer. Aquele amor, que pensava estar sentindo, também não fôra correspondido. Sem alicerce, seu castelo de desejo e satisfação não consumado, a transformara novamente em mulher triste. E a dor dessa tristeza agora poderia salva-la. Bastava que abrisse seu coração novamente para o verdadeiro amor. José lhe pediu que tentasse e mais uma vez ela não conseguiu.

Pensando em não fazê-lo sofrer mais, negou aquele envolvimento até não mais poder. A cada negativa de encarar a dura realidade, mais o fazia sofrer. Quanta dor desnecessária.

Quando José a trouxe de volta, a vida seria outra.

Seu amor e seu perdão foram as armas usadas para resgatá-la daquele inferno em que se metera.

Hoje, o amor voltou a morar junto daquela família, simplesmente permitindo serem todos felizes novamente.

Dia após dia, somente.

Até quando Deus permitir.

criado por giordanocarlos    8:20 — Arquivado em: Crônicas

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